domingo, 4 de janeiro de 2015

Luta com amor




“A pregação é a essência da nossa vida. Assim não salvamos apenas pessoas, mas salvamos a nós mesmos.”



              Queridos devotos, um abraço especial a todos neste novo ano. Oferecemos este ano a Krishna, ao nosso Gurudeva e a colaborar por uma consciência melhor neste mundo. Estes momentos de troca de ano servem também para meditar sobre quanto avançamos. Para avançar na vida espiritual, o mais importante é estar sob o refúgio dos devotos, sempre pregando e obedecendo às instruções. Seguir compartilhando o canto do santo nome a todos que encontra no caminho. Essa é a maior ocupação e todas as bênçãos choverão, nunca duvide.
            Para um sankirtaneiro, a maratona não acabou em dezembro, a maratona segue com todo o espírito do sankirtan. Esta é a maior bênção dada pelo Senhor Caitanya – cantar suas rondas – essa é a maneira mais eficaz para remover todo o inauspicioso. Quer remover influências inauspiciosas? Ponha tilak e cante o nome do Senhor Nrsimha. Se mantiver suas orações, isso com segurança desaparecerá. Busque manter uma atmosfera com a vibração dos mantras na mente e confie que Krishna está sempre contigo.
            Krishna sempre nos abençoa, mesmo nas dificuldades. Tenha em mente que estamos onde está nosso coração. Um coração vibrando no serviço a seu Guru é um coração salvo.
            A pregação é a essência da nossa vida. Assim não salvamos apenas pessoas, mas salvamos a nós mesmos. Do que nos salvamos? Nos salvamos das falsas alegrias e vícios, nos salvamos de passar por este mundo e não fazer algo positivo. Seguramente pode fazer mais. Este pensamento me dá esperanças a cada dia e agora que começa o ano pode-se pensar muito nisso.
            Por exemplo, o que fazemos para promover a sabedoria e valores do Sanatan Dharma neste mundo? O que fazemos para despertar os valores nos jovens? Mas tudo começa em nossa prática pessoal. Nos associarmos com os devotos é uma chave. Um dia com os devotos é um êxtase. Para mim, a associação com os devotos é o que me salva, e os líderes são puras joias.
            É meu desejo que todos se tornem líderes. Há muito campo de ação e a cada ano aparecem mais. Pensamos que neste ano queremos terminar alguns serviços, mas logo Krishna nos envia outros novos. Não terminamos nem o anterior e Krishna já nos ocupa em coisas novas. E serviços que não se pode dizer: “Isso não, agora não tenho tempo.”
            Por exemplo, agora fui à Bangladesh e conheci lindos devotos que me pediram para se conectar com a família Vrinda. Mais serviço para mim e para vocês. Eu oro a Krishna que nos mande mais bons devotos para cobrir todos os serviços que ele também nos mandou. E nós não sabemos quais surpresas virão, ao menos eu não sei. A única coisa que sei é que na vida o que dá razão de viver é pregar.
            Temos visto o exemplo dos nossos Acaryas que até o último minuto de suas vidas estiveram pregando. Pode ser com saúde ruim e aí se vai deste mundo, mas também pode ser que recebamos milagres. Muitos devotos me disseram: “Já estou indo deste mundo”, e eu disse: “Pregue o tanto quanto puder”, e até hoje continuam pregando depois de anos. Boa terapia, não?
            Por exemplo, estes dias em Mayapur estamos apresentando com muito sucesso uma obra de teatro para conscientizar as pessoas sobre o cuidado dos rios sagrados. Também seguimos em maratona para finalizar as publicações, trabalhando com o grupo do officebap em projetos para toda missão e feliz com as notícias da maratona. Felicito a todos os devotos que participaram. Me emociona muito saber que esteja com o espírito de pregação a cem por cento.
            Estes dias tive a visita de um quero do Peru aqui em Mayapur – um avô. Apresentei a ele o trabalho de Rius, ficou fascinado. Ele ficou feliz que para as crianças deles haja uma compreensão dos perigos dos nossos erros modernos. Me emocionou sua reação.
            Ultimamente tem chegado a mim muitas publicações que são ótimas para o início da universidade. Isso me confirma que nossa pequena tentativa está sendo abençoada por Krishna. Não é meu projeto, é um projeto de Krishna. E agora estamos trabalhando em tudo isso, para que na América do Sul possam desenvolver. Isso me faz mais presente da América do Sul que na Índia. Onde estou me dedico aos projetos.
            Por exemplo, Féducação, Pacto Mundial Consciente, Universidade, abrem muitas portas e se faz muitos amigos. Todos podem ajudar e não queremos outra coisa que não seja servir às pessoas. Se houver algo impuro, sempre sai à tona. E as pessoas que não entendem o que fazem, este ano têm que se dedicar a entender. O nome de Krishna está por cima de tudo. Claro, Maya sempre está na nossa porta para servir aos nossos caprichos. Lute por lutar com amor. Esta é minha mensagem deste chat.
            Eu sempre fico feliz ao escutar os relatos de cada templo. Podem enviar diretamente ao meu secretário. Também relatos de serviços e estudo pessoal com perguntas concretas onde necessitem ajuda. As perguntas de estudo, podemos ler aqui nas aulas e responder. Eu aprecio muito este esforço dos devotos por conectar aos membros da família Vrinda com estas mensagens, chats. É muito generoso e útil, pois assim eu posso me comunicar com todos os templos e todos podem ler o que escrevo. Obrigado a todos que participam disto.
            Srila Prabhupada ki jay.
            Haribol.

            Seu sempre bem-querente,

            Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Tem que fazer algo para descobrir sua relação com Deus




“A relação que temos com Deus e o tempo que Deus tem para nós depende, sobretudo, do tempo que temos para Deus.”



Queridos devotos. Mayapur Dham ki jay. Um abraço muito especial. Continuamos em Mayapur pelo desejo de Mahaprabhu, ocupados na limpeza e em promover valores.
Estes dias tenho trabalhado na investigação da Oidaterapia. Quero compartilhar vários pensamentos e meditações que chegam a mim nestes dias.  Eu lhes convido a estudar estes temas, a aprofundar neles. Eu agradeço a todos os devotos que me acompanham neste trabalho, eu apenas sou um instrumento da própria força da fé que estamos estudando e que chega a mim com todas estas revelações.
Como se manifesta na Oidaterapia, é muito importante e substancialmente considerado a importância que o homem moderno deu à psicologia dentro do mundo da ciência, da ciência baseada em especulações, estudo acadêmico de comportamentos, como reage o homem, e aí surge a suposta ciência da psicologia. A ciência natural para eles tem que ser uma ciência supostamente racional, então se baseia apenas no que os olhos podem observar.
Mas a psicologia estuda uma área específica do ser, o psico da alma, e a alma não se pode ver, então, já de antemão o fenômeno da consciência é um fracasso para a ciência, pois ela é notável por seus sintomas, mas não por sua influência causal, sendo a consciência existente antes de nascer o corpo e segue existindo depois de estar morto. Em outras palavras, o que acontece no momento da morte que é invisível ou apenas notável pelo fato de que o corpo vivo está agora morto, quando já não respira e o médico declara morto, quando para a respiração... Então, deixo de respirar, estou morto! A última coisa que se sabe do ser é que ele respirava, e quando respirava, funcionava o resto, quando havia prana, prana no corpo.
Então, voltando ao tema de Oidaterapia, a importância da alma é vital, porque sem alma não há vida nem há morte. E algo tão vital chamado consciência é sintomático de uma existência espiritual, mas que tem habilidades tão extraordinárias, como penetrar cada nervo, penetrar o corpo inteiro, fazer crescer as unhas, os dentes, os cabelos e coisas do tipo, o que realmente surpreende muito. Inclusive na comida que comemos a saliva deixa tudo molhado e se configura em forma de líquidos. O estômago está cheio de líquidos, mas quando está nos dentes, está duro. Então, nosso corpo tem uma habilidade de extrair, compor, fabricar coisas tão duras, como dentes e ossos, e coisas líquidas. É uma coisa bastante complexa de se conseguir. Quando o ser está vivo, está capacitado de transformar a matéria em diversas formas, pode-se dizer assim, aparentemente sem limites.
Essa consciência poderosa que habita no corpo vivo é o que se estuda como psicologia ou bem-estar mental e intelectual de consciência, porque no final das contas, eu digo mental ou intelectual porque as duas combinadas produzem o que se chama de estado de consciência. Bem-estar, mal-estar, deprimido, alterado, fadigado, eufórico, qualquer coisa que produz a consciência que pode ser desde a alegria maior, muita felicidade, até um suicida, pode-se mudar rapidamente de um para o outro, do alto ao baixo, ou seja, é um fenômeno de grande impacto e grande importância.
Neste sentido, a Oidaterapia faz sua aparição trazendo outra vez a Deus, a eternidade, a responsabilidade e a espiritualidade em si, ao tema do bem-estar. Porque quando se fala de fé, se fala da fé naquilo que causa a confluência de todos os seres e de todos os átomos em todos os espaços como sob uma direção cósmica e onde não somos independentes, porque quando realmente cumprimos uma função assim como um pai ou uma mãe cumpre, uma função de gerar um filho, e mesmo isso não está escrito em nenhum lugar. A mãe já sabe que quando tem um bebê na barriga, agora virá um pacote de deveres para ela, começando com o de dar leite ao recém-nascido.
Melhor dizendo, há uma lei, uma ordem universal cuja todos estamos sujeitos, assim como alguém não pode dizer que viverá sem comer ou que não eliminará nada, que não irá ao banheiro porque não gosta dos banheiros, que apenas expulsará pelos poros o que não quer ter no corpo. Você sabe que suando também se expulsa coisas, assim como quando se tem febre e se sua muito.
Este fenômeno é muito interessante e a psicologia ocidental que se foca principalmente no bem-estar temporário não considera este fenômeno universal, e quando considera esta ordem universal tampouco considera a espiritualidade do ser que quer reduzir a psicologia a mecanismos que tratam claramente a fenomenologia natural material observável.
O frio, o calor, o maltrato, o bem trato e tantas outras coisas que é óbvio que a psicologia está se dando conta que não é suficiente, mas em términos de pronunciar a aceitação e impacto curador da espiritualidade e com exceção de algumas correntes de psicologia transpessoal, eles ignoram esta temática, esta força curadora da consciência dentro da espiritualidade, e como já diz a psicologia transpessoal de uma forma oculta que é algo mais além da pessoa, mas se interpreta muitas vezes também mais além da individualidade da pessoa e justamente é a individualidade que faz que esse ser seja quem é.
Por isso, transpersonalidade não deve ser confundida com o fato de que no momento que tivermos que deixar este corpo deixaremos de ser, porque aí temos que reconhecer algo muito importante. Como eu não posso ver a alma, eu poderia ter a especulação de que quando morre, este corpo, esta consciência, esta alma se funde a um estado cósmico além do que eu posso observar, e além disso, perde a personalidade que teve durante o corpo individual. Mas isso é apenas uma hipótese, porque a individualidade vai muito além do corpo físico. É uma consciência de uma jiva, como dizem na Índia: “Quando uma alma que sustenta e mantém uma alma sob toda circunstância, mesmo sua individualidade pode ter uma relação pessoal com o Supremo, de toda a cosmovisão, cosmologia, e com Deus, que está por trás de tudo.”
Em outras palavras, é como um pai que tem uma família muito grande e não tem tanto tempo para cada filho como o que tem um filho só. Deus que tem tantos filhos, aparentemente não tem atenção personalizada com cada um, mas, por isso, de certa forma está em uma posição que inclusive alguns duvidem de Sua existência, enquanto outros percebem sua guia dentro do seu coração e se sentem abrigados, refugiados de muitas formas, por sua própria experiência e sentir um guardião interno, pois na verdade, a relação que temos com Deus e o tempo que Deus tem para nós, depende, sobretudo, do tempo que temos para Deus.
Aí entra a fé, aí entra a fé como curadora. Quanto tempo você tem para Deus? Apenas se tiver fé em Deus terá tempo para Deus. Tenho tempo para meu filme, tenho tempo para meus músculos, tenho tempo para meu intelecto ao estudar, tenho tempo para todas as coisas, tenho tempo para minha casa, tenho tempo para meu cachorro, tenho tempo para polir meu carro, tenho tempo para meu jardim, tenho tempo para partidos políticos, mas, quanto tempo tenho para Deus? Porque se você quiser saber sobre o Infinito, terá que se dedicar ao Infinito. Assim como se quiser saber do temporário, tem que se dedicar ao temporário. Tudo o que não cuidamos, perdemos. Se quiser ser um estudante honesto do amor universal (brahmacari), tem que se dedicar a estudar e praticar a vida com sinceridade e pureza, as 24 horas do dia. Se quiser ter mulher e filhos, se dedique a mulher e filhos, mas não saia correndo.
Então, não é que Deus falhou conosco senão que nós, muitas vezes, falhamos com Deus. E a espiritualidade e a Oidaterapia é aquilo que nos anima a restaurar isto, de restaurar esta carência da nossa vida onde não levamos em conta a eterna realidade, a eterna existência, onde é desde que nasce esta eterna individualidade. E por isso nossa individualidade e nossa relação com a espiritualidade e Deus são fundamentais.
Se você quiser deixar de ter individualidade pessoal, não pode ter devoção por ninguém. É como se um filho dissesse à sua mãe que quer voltar ao ventre porque não gosta deste mundo, e então diz: “Não gosto deste mundo porque não gosto da minha mãe.” É como, de certa forma, ser mal agradecido... “Não gosto do mundo, não gosto da consciência, não gosto da criação que meu pai Deus fez para que eu possa fazer algo com ela ou ser parte nesta criação com o plano divino.”
Aí vem outro tema que a psicologia moderna não considera no absoluto e é o plano divino que há para cada um de nós. Um plano divino que podemos estender mais com a missão de cada um. Como soa isto? Minha missão? Como se sente uma pessoa que não conhece sua missão? Sente-se deslocada, porque a missão faz que a vida seja importante. É como uma mãe que não tem seu filho, ela se sente completamente desamparada, porque a missão dela é cuidar do seu filho e se seu filho desaparecer por um instante, a mãe se sentirá devastada.
Então, a missão de cada um na vida, ou as missões, também há uma missão em relação a Deus, e esta missão em relação a Deus é a missão que se estabelece em nossa consciência sã, equilibrada, com disposição de servir, de ser parte da solução. Porque sempre há situações que requerem soluções e essas soluções são o desafio onde temos que superar nossos egoísmos, onde temos que superar a preguiça, por exemplo, onde temos que superar a indiferença pelo bem-estar de outros.
Por isso, a Oidaterapia é o que realmente foca na importância relacional, a falha nas boas relações é a falha que causa nossa carência de satisfação interna, e pela carência de satisfação interna ficamos em um estado de desequilíbrio onde sai o famoso dizer “não sei o que fazer” – talvez vocês conheçam esta expressão. Se não souber o que fazer, estará em um problema.
A espiritualidade diz que há muito a se fazer, você tem toda uma missão para desenvolver teu amor por Deus e uma das traduções simples é a filantropia, onde eu tenho que me dedicar ao bem-estar dos outros, porque há muito mal-estar no mundo, muito desequilíbrio, assim, devo entrar em ação e criar uma melhor circunstância. E ainda que isso não seja mau e possa ser, mas a essência é que você tem que fazer algo para descobrir sua relação com Deus. Qual é? Você é, e só há uma opção praticamente, você é um ser que deve amar, ser submisso, em última instância temer a Deus, pois um pouquinho de temor por Deus é melhor que ignorá-Lo, e por isso há uma identificação sobre a relação com o infinito, onde é melhor eu me cobrar porque tenho temor do que não me cobrar, pois senão as coisas ficarão piores.
A segunda forma que começamos a dar importância à espiritualidade é porque sentimos um profundo dever e abraçamos este dever com profunda alegria, aceitando que vou me dedicar a isso porque isso é algo belo para mim.
A terceira dos níveis de uma aproximação à espiritualidade com profunda sinceridade é porque me sinto apegado a isso, me sinto feliz de pertencer ao infinito, de ter uma missão, de ter em minha vida algo grandioso estabelecendo minha relação com Deus, porque eu mesmo conquistei muitas coisas e ainda não obtenho satisfação interna, minha vida não tem importância.
A última das relações com o infinito que é a mais elevada e mais sã é estando completamente apaixonado pelo infinito, apaixonado com sua fé da divindade. O que acha de estar apaixonado, pode-se dizer assim, pelo Senhor em uma das suas manifestações, que são: Mãe Natureza, conceito cósmico onipresente, oniconsciente divino, guia interno e manifestação visível do Senhor neste mundo em uma de suas diferentes tradições místicas onde eles reconheceram que ali se manifestou Deus.
Conhecemos isso, escutamos sobre isso, o amamos, celebramos, nos sentimos cativados por isso, sentimos tanta alegria que até queremos compartilhar com os demais e daí surge por exemplo o que se chama de tendência a missionar, porque se tenho uma missão para minha vida, a missão da minha vida tem a ver com as pessoas, porque eu não estou vivendo sozinho no planeta.
Então, se eu tenho uma missão para minha vida, então pode ser muito fácil que esta missão seja de dar a chance a outros de descobrir a missão dentro da minha missão. Na verdade, isso se chama família, família e missão não podem se separar, é a missão de cada pai e mãe que seus filhos sejam bem educados, que tenham um bom futuro, que tenham tudo que precisarem para serem completos em seus compromissos e bem-estar. Em outras palavras, o justo fato de ter nascido para meus pais já é uma missão, eles têm que nos ensinar, o idioma, os costumes, sua fé, seus bons conselhos para tudo na vida.
Melhor dizendo, o processo de educação das crianças já é a missão onde o conteúdo desta missão espiritual tem grande importância, ou seja, é a máxima importância, porque uma pessoa que tenha um bom estado econômico neste mundo não está, pode-se dizer, absolvido da ansiedade de amar e descobrir sua relação com o infinito, o absoluto. Pode-se dizer que as pessoas quando estão muito submersas, absortas no material, são as que mais sofrem, porque não encontram satisfação neste nível que realmente pode encher seu coração.
Por isso mesmo, compartilhar a vida com os demais, este compartilhar pode ser chamado facilmente da grande substância de um ser consciente. Escutar, pensar, falar, os três são inseparáveis. O que pode pensar se não tiver nada a escutar, que falará se nunca escutou nada, em outras palavras, são interdependentes. Apesar de para falar ser necessário a língua que é claramente físico, o som que escuta não é bruto e o que fala tampouco é.
O som e a consciência está atado ao que se escuta e se fala, isto é, pode-se dizer assim, é o nível da fé das prioridades. Em certo momento, eu vejo que tem fome, então minha mensagem para você é comida. Mas se eu vejo que você tem ansiedade e tristeza, a missão prioritária que eu tenho que te ajudar a conseguir não é comida senão que comida espiritual. Mas nossa sociedade moderna não vê comida espiritual, e por não prover comida espiritual, as pessoas estão tão apegadas que mesmo tendo milhões de dólares podem pensar em se suicidar.
Então, é muito óbvio que somos por nós mesmos mensageiros do melhor tipo, e por isso nos comparamos, compartilhamos, nos perguntamos: “O que acha?”, “O que tem escutado?”, “Quer compartilhar comigo, por favor?” e se vemos uma espiritualidade exemplar que faz coisas muito lindas, podemos nos aproximar dele ou dela submissamente e perguntar: “Pode me iluminar? Estou submerso na ignorância de não saber o que fazer, de não saber para onde direcionar minha energia, meu amor, meu todo, pode me iluminar a respeito? Porque eu vejo que você tem uma vida muito linda, focada, é tão sorridente, compassivo, autocontrolado, por favor, compartilhe comigo o melhor, isso pode despertar em mim alguma importância similar, o que poderia curar minha incerteza, minha tristeza, minha existência...”
Sem rumo. Porque todo mundo quer encontrar o rumo de sua vida. Como sempre se anda em círculo, dando dois passos para frente e três passos para trás, então, isso é muito exaustivo para a consciência. Quando passamos sempre pela mesma paisagem, mas queremos chegar a outro destino, parece que está acontecendo algo errado, como quando viajamos e buscamos algo, mas sempre passa pelo mesmo lado, por isso não encontramos.
Assim, a vida sem rumo é naturalmente doentia e precisamos da instrução por parte de uma fonte iluminada, de uma fonte espiritual para nos encaminhar a encontrar um rumo em nossa vida, o rumo para a causa da nossa existência, o propósito da nossa existência, e encontrar que maravilha foi criada tão maravilhosa para poder encontrar algo mais maravilhoso ainda.
Essa é a fé positiva, construtiva, o mundo é maravilhoso, seu criador tem que ser incrivelmente maravilhoso, sua criação é incrivelmente maravilhosa também. E quando andamos nesta fé, estamos firme no que se chama Oidaterapia, a terapia da fé. Daí em diante, virão tuas experiências de acordo ao teu esforço, tuas práticas, tua sinceridade, tua busca, tuas orações, tuas meditações ou o quanto dedica a Deus do teu precioso e maravilhoso tempo, pois cada segundo é um precioso presente já que nenhum segundo jamais se repetirá. Sem dúvidas, cada segundo é a soma, soma, soma da experiência ao máximo grau de conclusões da transcendência que você pôde perceber.
Por isso se diz: “Você vive agora, não vive no futuro, o futuro sempre será outro agora.” Portanto, acredita-se que o agora de amanhã mudará o agora deste momento, mas o agora é o agora. Agora você ama, agora você entrega, agora diz sim, agora diz “Senhor, sou Teu”, tudo isso é o que você conclui veementemente agora, e se disser agora, também terá de viver agora, por isso a vida espiritual sempre é agora.
Por isso eu os convidei hoje para uma conferência antes do mangal artik, o que é pouco comum, mas porque era pra celebrar um destes “agoras” e para compartilhar uma das observações que eu tive que Krishna está preparando este pacote do que estamos falando agora de uma forma muito sutil espalhando-o por todo lugar. E por isso oferecemos humildemente a Oidaterapia para toda a humanidade, para que tenham essa possibilidade de abraçar a espiritualidade com fervor. E esta espiritualidade inclui também cuidar das coisas temporárias de sua vida, porque também no conceito do agora devemos cuida do temporário já que isso é parte da tarefa que nos foi colocado.
Enquanto vivo, cuido do corpo, quando morro, já ninguém cuida, o enterramos ou o queimamos. Esse é um exemplo óbvio da importância do temporário. Mas o agora continua depois da morte. Por isso existem as mensagens espirituais, que nos saturam de confirmações da presença divina.
Jay, queridos. Sempre feliz em receber suas perguntas, sobre este tema e sobre os livros que estejam estudando.
Um grande abraço de amor espiritual de Sri Mayapur Dham.
Haribol.

Seu sempre bem-querente,

Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Krishna sabe o que quer






“Tudo o que Krishna permite que aconteça é perfeito, deve ser assim... Senão não haveria acontecido.”


            Meus queridos devotos, pregadores do amor.
            Em plena maratona, na primeira semana. Resultado entusiasmante que o prabhu Thakur no Peru e seu grupo obtiveram. Ao mesmo tempo, há vários eventos muito importantes além da maratona, como o Kiwa na Colômbia e o tribunal contra os abusos à Mãe Terra no Peru. Concerto do amigo Héctor Buitrago em Lima na margem do Cumbre dos Povos.
            Muito serviço, melhor dizendo. Enquanto aqui na Índia já apresentamos quatro obras de teatro exitosíssimas nos povos de Ekachakra, em Kattwa e em Navadvip. Agora estão nos convidando a outras praças como Ambika Kalna e outros lugares sagrados dos passatempos do Senhor Caitanya. O que se pode entender? Pura misericórdia.
            Krishna sabe o que quer. Quando as coisas ficam duras na minha vida, me refugo em duas frases: “Tudo o que Krishna permite que aconteça é perfeito, deve ser assim... Senão não haveria acontecido.” E quando ainda assim a circunstância continua parecendo feia, me refugio na frase: “Não há mal que por bem não venha”, e com isso primeiro acalmo a mente completamente, pois como acalmarei a mente dos demais se a minha própria estiver agitada?!
            Assim, já acalmada minha mente, estendo minhas mãos para as pessoas que ainda estejam tristes ou agitadas para que também possam sentir a proteção da reflexão e assim começar o processo de harmonização com “vanca kalpatarubhyasca...”, pedindo desculpas a todos os demais que possam ter ofendido com sua forma de atuar consciente ou inconscientemente no passado. Com esta atitude de humildade já se pode entrar na batalha novamente, de uma forma agradável e agradecida e assim conquistar as coisas de forma transparente, aquela que se deve oferecer às demais pessoas próximas.
            Claro, quando algo que não gosto acontece, eu deveria queixar minha autoridade para harmonizar as coisas, porque harmonizar é possível quando recebemos a autorização para isso. Em certos momentos de conflito no mundo, é necessário consultar o guardião de ambos lados, o guardião que é aceito por ambos lados do conflito. Mas a pregação é a nossa vida e pregar traz conflitos. Justamente para crescer se passa por conflitos, ou seja, quando há crescimento há conflitos.
Cada nova criança no mundo significa um novo problema, cada templo novo significas novas retas, por isso, quando pregamos continuamos convidando novos problemas, e por outro lado, para evitar problemas há de ter muita transparência, sobretudo se algum programa manipula Lakshmi, com mais razão deve ser muito transparente. Pois estamos em Kali Yuga e existe muita inveja. Agora só falta realizar isso para que não seja pura teoria, e assim não ter que aprender de novo. Então, eu mando um abraço nesta maratona que estão tendo aí. Com todo carinho me despeço de Mayapur Dham.
            Jay Srila Prabhupada!

            Seu sempre bem-querente,

            Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 30 de novembro de 2014

Sempre se esforçar




“Quando alguém está agradecido com um ensinamento se converte em um discípulo e se comporta docilmente diante estes ensinamentos, mas ninguém pode ser um discípulo por obrigação.”



Queridos devotos, aqui estamos na terra de Sri Gauranga com Gurudeva Atulananda. Sinto-me como em Vrindavan Jardins Ecológicos, como em nossa fazenda Ahimsavan ou como em tantos outros lindos lugares.
Hoje estou muito feliz, porque revisamos umas boas entrevistas que as madres Amrta e Krishna Seva fizeram para a UDSA e para o Pacto Mundial Consciente. Elas entrevistaram grandes personalidades da proteção à Mãe Terra na Índia. O melhor é que não foi nada planejado, pois quando chegamos em Delhi soubemos de Vandana Shiva e estávamos no evento da WVA, mandamos as madres para entrevistas e se saíram tudo muito bem.
Gente muito nobre que, apesar de serem grandes personalidades, receberam muito bem estas meninas da América do Sul e responderam todas as perguntas. É muito bom trabalhar com eles nestes temas, mas é claro que a eles não vamos com uma pregação devocional, pois fechamos algumas portas, porque as pessoas não querem ser convertidas.
Mas, o que significa realmente “converter”? Significa educar, pois cada pessoa quer convencer a outros do que pensa, e se alguém estiver equivocado, então se deve exercer o direito de questionar o que está escutando e criticar construtivamente. Por exemplo, quando alguém está agradecido com um ensinamento se converte em um discípulo e se comporta docilmente diante estes ensinamentos, mas ninguém pode ser um discípulo por obrigação. Não se pode amarrar aos seus discípulos, pois como diz no Srimad Bhagavatam: “Encontramo-nos pela Divina Providência e, agora que me encontrei contigo, te aceito como o capitão do meu barco para cruzar o Oceano de Kali.” E qual é o Oceano de Kali? A falta de amor.
Pois Radha e Krishna nos dão amor e nos convidam a deixar a confusão, assim, o amor está cheio de amor. Todo mundo ama e quer amar, e claro, quando se mistura é convertido em luxúria ou abuso, isso não é amor. As pessoas conquistam aos outros apenas para explorá-los, isso não é amor. O mais importante é nunca “jogarmos a toalha”.
A propósito, sobre não se deixar vencer, quero contar uma história que aconteceu na Venezuela faz um tempo. Lá eu aprendi que nunca há de se jogar a toalha... Eu estava a ponto de comprar um templo muito bonito de umas monjazinhas, o preço era de US$30 mil. Quando estava tudo pronto para a compra, fui buscar os papéis e, em vez de sair uma monja, saiu um militar com a escritura em mãos e me disse: “Acabamos de comprar o lugar.” Eu fiquei muito mal, muito frustrado, porque havíamos nos esforçado muito para isso. De fato, a doação havia sido dada pela comunidade hindu e eu teria de devolver.
Estava tão frustrado que fui caminhar e no caminho encontrei outro lugar, muito mais bonito que o anterior, com muitos animais, aves, etc. Quando perguntei quem era o dono do lugar, me disseram que era o senhor mais rico da cidade. Eu perguntei onde ele vivia e logo fui caminhando para lá. Tive que subir uma colina. Quando cheguei, me abriu a porta uma mulher e logo me levou à casa deste senhor milionário.
Na casa só estava este senhor milionário que tinha mais de 80 e muitas mulheres. Ele me perguntou o que queria e eu contei toda história do que havia acontecido. Falei com todo o coração e ele me disse: “Meu pai me disse: ‘Se cair do cavalo, não amaldiçoe nem o cavalo nem a terra, o melhor é se levantar com a ajuda da terra e seguir em frente’”. Eu disse que ele tinha toda razão e por isso estava lá.
Então contei que sua casa me parecia muito bonita e queria comprá-la. Era uma propriedade de muito valor. Assim, o senhor milionário não poderia acreditar no que eu estava pedindo e eu disse que “tudo era possível”. Comentei que só tinha US$10 mil e ele disse que venderia por US$100 mil. Eu disse que não tinha os 100 mil e ele disse que ajudaria a financiar. Logo chamou seu advogado e contou que ia vender a terra para fazer um templo. Assim, pudemos comprar a fazenda por US$10 mil.
Logo depois disso o senhor milionário teve um acidente e os devotos o ajudaram muito, mas no dia seguinte ele abandonou o corpo. É maravilhoso tudo o que pode acontecer quando alguém se associa com os devotos. Em pouco tempo recebi uma carta da filha deste milionário dizendo que não reconhecia a venda que seu pai havia feito. Eu fiquei muito mal. O advogado me sugeriu nem sequer brigar com ela e era melhor receber o Lakshmi de volta.
Por que conto esta história? Como um exemplo de que nunca se deve desanimar nem se deixar cair. Tem que se levantar toda vez. Essa é minha mensagem de hoje: Sempre se esforçar.
Meus queridos devotos, eu sem vocês não posso fazer nada, não quero fazer nada, é uma dependência dos devotos. Claro, a última palavra tem Krishna, sempre. Mas eu sinto que é um grande privilégio ter a companhia de todos vocês e manter tantos projetos lindos. As pessoas estão buscando “sorte”, mas se esquecem que neste mundo não existe a “sorte”, que tudo é karma e que sobre o karma está a misericórdia de Sri Krishna.
É o desejo da Divina Providência o que realmente faz com que tudo funcione. Krishna se mete em nossa vida e faz com que as coisas aconteçam e tudo o que fazemos na nossa vida deve ser funcional. Eu não acredito que um devoto fique desamparado, pois Krishna sempre está por trás cuidando de todos. Às vezes há alguns que são mais agradecidos, mas ninguém fica desamparado. Esforçado e agradecido, essa é a chave.
Com estas palavras me despeço de vocês por hoje e convido a Gurudeva Atulananda para compartilhar um pouco mais de néctar.

Seu sempre bem-querente,
Swami B. A. Paramadvaiti.


Gurudeva Atulananda:

Queridos devotos, seguindo as palavras de Gurudeva Paramadvaiti...
Uma vez escutei um ditado: “Que sua vida seja uma subida”. Sendo assim, para que a coisa vá em subida tem que haver um esforço. Mas, na verdade, praticamente falando, esforço significa mais que nada nos apegarmos a nossa própria inteligência, ao que nós mesmos já tenhamos compreendido e decidido. Isso é tudo.
Sri Krishna disse no Bhagavad Gita:

Nasti budhir ayuktasya
“A pessoa que não está vinculada a Mim, não tem inteligência.”
                             
Se quisermos fazer algo afastados de Krishna, isso não é inteligência. Qualquer arranjo que queiramos fazer sem Krishna é imperfeito e não funcionará. Somente em Maya pensará que está funcionando, ou funcionará por um tempo. Em troca, a pessoa inteligente sempre está buscando o “selo com Krishna”.
Bhagavam Sri Krishna também disse: “A pessoa que não está vinculada a Mim, tampouco tem Bhava”, isso significa que não terá emoção nem sentimentos, pois tudo o que Krishna faz é para ter plena satisfação. Qualquer coisa que Krishna faz é completa, inclusive as pequenas estrelas tilintares traz uma satisfação especial. São só um pontinho de luz que têm uma qualidade e um gosto que satisfazem a todo mundo, essa luz também está nos enviando algo.
Tudo o que faz Krishna é muito maravilhoso, porque tudo vem do Seu coração até o nosso coração. Esse é o único vínculo que interessa a Krishna. Sri Krishna fala de “yoga”, é porque está falando de uma relação de coração a coração. Se não houver uma relação de coração a coração, então não há relação. Krishna não é hipócrita, não faz coisas inúteis, se Ele fizer algo é verdadeiro.
Há diferentes processos de yoga, mas Bhagavan Sri Krishna está desejoso que nós alcancemos o Bhakti Yoga, sempre estamos em Yoga. Estamos vinculados com Maya Yoga ou com Bhakti Yoga. Esse é o tema do entusiasmo: se apegar à inteligência e ao que compreendemos e não nos deixarmos iludir e nos vendermos por um suposto prazer imediato. Isso é um tipo de droga, a luxúria é um tipo de droga. Assim, sempre estaremos frustrados se depositarmos nossa fé em algum prazer imediato. É seguro que acabaremos frustrados.
Assim, não temos que fazer planos à curto prazo. Os comerciantes pobres vivem o dia, mas os grandes comerciantes se projetam à longo prazo. Assim são os grandes negócios: Investir muito e não receber nada por um bom tempo. Isso se chama “apertar o cinto”. Se quisermos um alcance superior, devemos nos esforçar. Krishna disse que Ele é a verdade e a resposta, qualquer outra coisa é um engano. Aí está a verdade, então devemos abraça-lo intensamente – isso é Bhakti Yoga.
Para nós, Bhakti Yoga significa abraçar a verdade, não significa abraçar êxtase ou a paz, abraçar o amor, não significa isso para nós. Para nós, Bhakti Yoga significa abraçar A Verdade, mesmo que custe ou doa, mesmo que traga perdas ou sem sabores. Vidya Vadhu, tem que se casar com a verdade. Essa é nossa iluminação, Ele é a Verdade Suprema, Param Brahma.
É isso, meus queridos, sempre manter o entusiasmo.

Saudações de Mayapur,

Atulananda Das.

domingo, 9 de novembro de 2014

Evitar má interpretação





“Um artista se nutre de sua própria criatividade.”


            Queridos devotos, recebam todo meu afeto de Vrindavan. Hoje estamos viajando a Rajesthan com um grupo grande de devotos para visitar os templos sagrados lá.
            Como vocês sabem, às vezes há muita interpretação. Às vezes é interpretado corretamente e às vezes não. São todas coisas de Maya, às vezes Yoga Maya, às vezes Maha Maya. Maya está em tudo, porque ela é muito poderosa e se estabelece em todas as esferas.
            Para todos os devotos da Família Vrinda, hoje quero compartilhar uma mensagem muito importante. Eu só busco fazer e seguir o que for claro para mim. De qualquer maneira, eu também tenho minha própria luta para me manter. Hoje quero esclarecer que as pessoas que trabalham comigo e são minhas representantes são exageradamente de minha confiança, mas às vezes acontece que temos distintas opiniões em diferentes temas. Eu sou conhecido por uma frase que repito habitualmente: “Todo devoto que tenha mais de 5 anos na Consciência de Krishna deveria se envolver ao máximo em tomar decisões e se tornar um líder responsável junto a mim”, eu falei isso muitas vezes. E muitos dos devotos que estão agora comigo têm mais de 5 anos e tomaram essas responsabilidades.
            Então, a mim interessa como nos associamos pela causa, nos associarmos significa tomar decisões também, e o fato que tomemos decisões diferentes não significa que seja algo ofensivo. Todos têm direito à sua própria opinião, todos têm direito a exercer sua intelectualidade natural. Claro, a submissão é necessária para que uma comunidade funcione. É necessário alguém que tenha a última palavra, para isso existem os diretores, essas são funções que podem mudar.
            Assim, com as diferentes funções, de fato, às vezes surgem interpretações diferentes do mesmo ponto. Por exemplo, ontem eu estive falando da nossa relação com os povos indígenas e inclusive disse que Swami Maharaj havia me criticado porque alguns devotos dizem que minhas aulas mudaram muito neste tempo. Eu dei isto como um exemplo, inclusive utilizei a palavra “crítica” e disse “até Swami Maharaj me criticou...”, mas me referia a uma crítica construtiva, porque todo mundo tem direito de fazer críticas construtivas. Esse é só um exemplo de um observador que está evidenciando as coisas que estão acontecendo. Porque é assim, nestes anos uma transformação está acontecendo e, para mim, tem sido uma transformação positiva, pois, por exemplo, as conquistas com as comunidades da América do Sul que não são claramente vaishnavas estão sendo muito positivas para a pregação.
            Assim, aceitamos a amizade com comunidades indígenas apenas pelo benefício da pregação. O mesmo aconteceu com a relação com muitos seguidores do impersonalismo na Índia. Eu posso ser muito criticado, porque, por exemplo, no Kumbha Mela me relacionei com grandes yogis e líderes impersonalistas para lhes pedir o apoio para proteger o Yamuna e Vrindavan. O mesmo com tantos políticos da Índia, visitando seus escritórios em Delhi e batendo em suas portas para que deem atenção em Vrindavan.
            Então, no Kumbha Mela estivemos junto de Gurudeva Atulananda de acampamento em acampamento para levar a dignidade de Srila Prabhupada com nosso tilaka e nossa roupa devocional para pedir atenção por Vrindavan. Claro, precisa se relacionar com todos eles para ter alguma conexão. Filosoficamente não temos nada em comum, mas eles são os que podem ajudar para que o Yamuna esteja limpo e que Vrindavan seja protegida.
            Às vezes eu faço coisas das quais tomo completa responsabilidade. Claro, se eu estivesse dentro de uma instituição, não aceitariam muito isso, como acontece com alguns dos meus irmãos espirituais que têm que cumprir com as regras da instituição e se veem freados em sua pregação.
            O que eu quero esclarecer com tudo isso é que todos podem comentar as coisas que não gostam. Eu trabalho assim com meus líderes, porque quero que os meus líderes sejam completos. Por isso, faz alguns anos que disse aos meus líderes que todos aqueles (especialmente sannyasis) que quisessem expandir a missão, poderiam fazê-lo. Assim, alguns sannyasis poderiam dar iniciação a outros em meu nome e logo para segundas iniciações contatar aos novos devotos comigo.
            Óbvio que isso significa que os líderes devem abrir novos projetos também, essas são transições. Porque todos vocês são siksa gurus em seus campos e a importância do siksa guru é a mesma que o diksa guru, não há diferença nisso. Isto é algo que eu preguei desde que nos conhecemos, não é um tema novo. Por exemplo, devido à dinâmica do grupo na Argentina, Giri Maharaj me propôs começar alguns projetos novos onde eles queriam ensaiar com o veganismo como método de proteção às vacas. Eu aceitei a linda proposta de Giri Maharaj, pois ele e Padmanabha Maharaj são pessoas de muita integridade. Só que alguns devotos o interpretaram de má forma, mas não foi assim.
            Eu dou a todos o direito de apreciar as situações da Missão e transmiti-las, pois sempre em Kali Yuga há maus entendimentos. Nós somos servos de Srila Prabhupada, por isso oramos: “Ó, meu Senhor, deixa-me ser um instrumento do Seu amor.” Vocês são siksa gurus, o que dizer então dos sannyasis que levam tantos anos apoiando a Missão. Por exemplo, a Giri Maharaj dei a permissão de ser ritivik acarya em meu nome, porque eu não vou com muito tempo à Argentina e às vezes há devotos que precisam ser iniciados e tem que esperar e têm que esperar. Claro, outros de vocês também podem ser ritivik acaryas, não é apenas Giri Maharaj, mas tem que se tornar pessoas de total confiança para ser. Não trata-se apenas de um posto político, não é uma posição que alguém ganha só por atitudes diplomáticas. Eu detesto a diplomacia.
            Queria esclarecer isto para todos os devotos da família Vrinda. Agora mencionei Swami Maharaj e Giri Maharaj, mas poderia nomear a outros devotos. Um sannyasi é um lugar tenente do Mestre Espiritual. Um sannyasi é um CBA com maiúscula, que vão a um lugar onde (mesmo que não tenham levantado por si próprios) podem ajudar e intervir em todos os níveis. Para mim, Colômbia é um projeto muito querido, pois foram os devotos da Colômbia que me incentivaram a tomar a posição de guia espiritual. Por isso, quando Swami Maharaj começou a pregar na Colômbia e a ganhar o coração dos devotos, me deu muita alegria.
            Todos cometemos erros sem querer, mas seguimos adiante. Na vida às vezes há más interpretações, por isso sempre é bom esclarecer as coisas. Eu queria compartilhar tudo isto com vocês hoje. Sinceramente, para mim, a proteção da natureza é algo sagrado. E a proteção e todos os rios e as águas do mundo é algo sagrado e deve ser protegido. Eu me emociono um pouquinho neste sentido e talvez me passo, mas... O que faço? Se em algum momento eu pus dificuldades a alguém, peço que me perdoem, não é minha intenção colocar ninguém em problemas.
            Um siksa guru tem uma missão muito clara, que a possa tomar de frente como quiser. Se uma pessoa receber a bênção de expandir novas áreas de pregação onde se projeta como o siksa guru, isto seria chamado como uma ramificação da mesma missão. Porque somos todos parte de uma mesma família. Eu sigo sendo parte da missão de Srila Prabhupada, somos Gaudiya Sampradaya e sempre seremos, porque adoramos ao Senhor Caitanya, porque também somos da Gaudiya Math, da Gaudiya Missão, da Iskcon, de Vishva Vaishnava Raj Sabha, da Caitanya Sarasvat Math, esses são apenas nomes.
            Eu autorizei alguns devotos de expandir a família, como o fiz com Giri Maharaj e Padmabha Maharaj. Assim, os devotos podem ter mais criatividade, pois, para mim, a criatividade é algo muito importante. Um artista se nutre de sua própria criatividade. Um músico deve compor, um poeta deve escrever poesia... Assim, somos seguidores da criatividade.
            Ao nosso Siddhanti Maharaj também disse que pode iniciar em meu nome. Essa é a ideia, que se atenda melhor as novas e diferentes ramificações, pois o siksa guru que está ao lado do devoto é muito importante, inclusive mais que o diksa guru. Mesmo claro que não haja diferença entre o siksa e o diksa guru. Mas quem está lá o dia a dia protegendo aos devotos é muito importante.
            Não se esqueçam de tudo isto que falamos hoje. Reflexões sobre isso. Enviamos as bênçãos de Sri Gouranga Radha Vraja Mohan de Vrindavan. Muito afeto a todos vocês.
            Jay Srila Prabhupada!

            Seu sempre bem-querente,

            Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 2 de novembro de 2014

Cuidar de suas Govardhan Silas e adorá-las intensamente




Na verdade, não há nada a desfrutar no mundo material, a única coisa que há são os repetidos nascimentos e mortes: uniões e separações, uniões e separações. Agonizante.”


Meus queridos devotos, recebam todo meu afeto de Vrinda Kunja.
Ontem fizemos uma cerimônia muito linda às margens do Yamuna. A primeira cerimônia desse tipo, onde mais de 100 devotos foram celebrar os 20 anos da instalação de Gouranga Radha Vraja Mohan. E hoje pela manhã estregamos Govardhan Silas aos devotos que querem adorar a Govardhan em seus templos e programas – me senti muito feliz por isso. Os vrajavasis não gostam que as pessoas tirem pedras da Colina de Govardhan, mas se eles soubessem que estes estrangeiros queriam tirar a montanha inteira e roubá-la... Mas não, os devotos levam simplesmente para adorar.
Assim, o Senhor se manifesta na forma da Colina de Govardhan e os Vrajavasis se assustam por Krishna não ser respeitado da forma que merece. Mas o Senhor mesmo faz que existam muitas Silas para viajar ao redor do mundo. Claro, quem leva uma pedra da Colina de Govardhan deve deixar o equivalente de seu peso em ouro para Vraj Seva, e mesmo esse peso não significa nada comparado à importância de ter uma expansão da colina de Govardhan no nosso templo. Essa é a mensagem para o chat de hoje: Cuidar de suas Govardhan Silas e adorá-las intensamente.
Ontem à noite no programa no Yamuna também fizemos abisheka a Govardhan. Aos devotos da América do Sul mandamos dizer que estamos muito felizes que todos chegaram. Não sabemos como atender bem a todos, nem como servi-los apropriadamente. Para nós, todos os associados de Krishna são de suprema importância, por isso, queremos servir aos devotos sempre. Nosso Srila Prabhupada é o associado de Krishna que queremos servir e seguir, oramos para poder servir a Srila Prabhupda e para oferecer todo nosso amor ao Senhor Supremo, que é o mais amoroso de todos.
Seguir no caminho do Bhakti, onde Krishna desfruta com os gopas e as gopis, sempre ansiando por ir à Vrindavan eternamente. Esse é o caminho de Srila Rupa Goswami. E no caminho de Srila Bhaktivinoda Thakur, não quis entrar em detalhes dos passatempos íntimos de Krishna, pois sempre existe o perigo de confundir os passatempos de Krishna com suas coberturas materiais. Nós seguimos este exemplo. Pois, na verdade, não há nada a desfrutar no mundo material, a única coisa que há são os repetidos nascimentos e mortes: uniões e separações, uniões e separações. Agonizante. Melhor ir à Goloka para que isso não aconteça mais. Claro, em Goloka há simulações de separação, mas em outro nível. Lá Srimati Radharani sofre pela separação de Krishna, tanto que lagos se formam de suas lágrimas. Sri Caitanya Mahaprabhu repetia que lágrimas caiam de seus olhos.
Srila Gour Govinda Swami dizia que esta é a escola para aprender a chorar. Mas quem realmente já aprendeu a chorar? Só choramos quando nos roubam o dinheiro ou os documentos, não chegamos a chorar pelas coisas verdadeiras, não choramos por ansiar o amor por Deus.
Meus queridos devotos, para terminar a mensagem do dia de hoje eu quero enviar um abraço e pedir que contem comigo. Permitam-me sempre servi-los com suas bênçãos. Às vezes temos uma ideia ou outra de como servir, mas eu anseio que no futuro tudo isso tenha muitos bons resultados para todos vocês.
Vrindavan Dham é um lugar muito especial e maravilhoso e estar com todos vocês aqui é mais especial e maravilhoso, e ter estado nas margens do Yamuna com todos vocês é a maior felicidade, o ponto mais alto, é o ponto mais alto da beleza da associação com os vaishnavas. E como dizia no começo, este foi o primeiro ano que fizemos a celebração no Yamuna desta maneira. Fizemos antes de forma menor, mas desta vez foi uma grande festa muito bela, a melhor festa na região do Yamuna.
Quando eu estou em Vraj-raj (pó de Vrindavan) não preciso de nada mais, melhor ainda, me sinto muito feliz com a vida mais simples que se pode imaginar. Em outras palavras, poderíamos ir todas as noites às margens do Yamuna para celebrarmos juntos. Claro, nosso Vrinda Kunja também é muito lindo para se estar junto.
Muito obrigado por compartilhar juntos durante estes 30 anos da família Vrinda.
Jay Srila Prabhupada.

Seu sempre bem-querente,
Swami B. A. Paramadvaiti.