Mostrando postagens com marcador devoção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador devoção. Mostrar todas as postagens

domingo, 31 de julho de 2016

Verdadeira renúncia



“Às vezes sentimos um forte impulso de renunciar a todos os apegos materiais e sair correndo disso, mas nesse caso, a verdadeira renúncia se torna o fato de cumprir com teus deveres e responsabilidades, pois é através deste cumprimento que nos qualificamos para a transcendência.”



Todas as glórias sejam a Srila Prabhupada.
Meus amados devotos, espero que estejam muito bem em seus respectivos serviços. Queria contar que enviar uma mensagem semanal direcionada a toda comunidade tem sido meu costume durante os últimos 15 anos. Sem dúvidas, este ano acabamos deixando de fazer. Esta é uma nova tentativa de recuperar o envio do chat dominical para compartilhar com cada um de vocês.
Há três coisas que não devemos abandonar nunca em nossa prática espiritual:
- tapas (austeridade);
- yagna (sacrifício); e
- dana (caridade).
Austeridade é algo básico para realizar na Era de Kali, Srila Prabhupada chamou também de “vida simples com pensamento elevado”. Sacrifício se expressa como o canto dos Santos Nomes do Senhor, seja na forma de japa, em kirtan congregacional, em conferências ou inclusive escrevendo sobre as glórias do Senhor.
Caridade se refere a criar templos com uma atmosfera tão linda que as pessoas não queiram sair disso e retornar à existências material da qual viemos, lugares cheios de sadhu-sangha.
Tudo aquilo que é realizado na companhia de sadhus ou dos devotos é uma profunda e benéfica purificação. O sadhu-sangha está cheio de rasa, de sabor e apreço pelos demais. Inclusive pode ser que existam pessoas no mundo diante das quais não sentimos apreço natural, mas então elas se convertem imediatamente em receptoras de uma misericórdia especial. Como reza o ditado: “Senhor, por favor, dá-me Tua misericórdia quando eu menos mereça, pois é quando eu mais necessito”. Assim, poderemos manter constantemente a vontade de animar todas as pessoas que estão ao nosso redor, o que inclui tanto os membros da comunidade espiritual como os que não são.
Da mesma forma que temos que aprender a conhecer a ação na inação, temos que aprender o conceito de desapego dentro do apego. Isto quer dizer que enquanto tiver um corpo material, aos devotos que buscam o desapego têm que estar em constante contato com a energia material. Isto é inevitável. Desta forma, os devotos devem manter templos e centros abertos de forma prática e eficiente para que as pessoas possam conhecer mais sobre a espiritualidade, podendo participar de campanhas para resolver situações ecológicas desfavoráveis que possam afetar aos seres que o rodeiam, tem que cuidar de sua saúde e seus respectivos corpos para estar em perfeitas condições enquanto compartilham a mensagem de Sri Krishna ao mundo, tem que manter suas famílias felizes e sãs, tem que se tornar excelentes profissionais nas áreas que Srila Prabhupada definiu que os devotos deveriam estar em ação, etc.
Às vezes sentimos um forte impulso de renunciar a todos os apegos materiais e sair correndo disso, mas nesse caso, a verdadeira renúncia se torna o fato de cumprir com teus deveres e responsabilidades, pois é através deste cumprimento que nos qualificamos para a transcendência. Assim que abandona sua independência e se refugia sob a proteção de um vaishnava, o próprio vaishnava dará responsabilidades para proteger, as quais somente podem ser executadas com um maduro critério e discernimento individual. Dita atitude responsável e cuidadosa é totalmente saudável para o desenvolvimento espiritual daqueles que foram inspirados pelos Pés de Lótus de Srila Prabhupada.
Peço que reflitam sobre estes temas e compartilhem com os membros de suas comunidades e famílias. Jay Srila Prabhupada!
Todo meu afeto do Equador.

Seu sempre bem-querente,

Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Tem que fazer algo para descobrir sua relação com Deus




“A relação que temos com Deus e o tempo que Deus tem para nós depende, sobretudo, do tempo que temos para Deus.”



Queridos devotos. Mayapur Dham ki jay. Um abraço muito especial. Continuamos em Mayapur pelo desejo de Mahaprabhu, ocupados na limpeza e em promover valores.
Estes dias tenho trabalhado na investigação da Oidaterapia. Quero compartilhar vários pensamentos e meditações que chegam a mim nestes dias.  Eu lhes convido a estudar estes temas, a aprofundar neles. Eu agradeço a todos os devotos que me acompanham neste trabalho, eu apenas sou um instrumento da própria força da fé que estamos estudando e que chega a mim com todas estas revelações.
Como se manifesta na Oidaterapia, é muito importante e substancialmente considerado a importância que o homem moderno deu à psicologia dentro do mundo da ciência, da ciência baseada em especulações, estudo acadêmico de comportamentos, como reage o homem, e aí surge a suposta ciência da psicologia. A ciência natural para eles tem que ser uma ciência supostamente racional, então se baseia apenas no que os olhos podem observar.
Mas a psicologia estuda uma área específica do ser, o psico da alma, e a alma não se pode ver, então, já de antemão o fenômeno da consciência é um fracasso para a ciência, pois ela é notável por seus sintomas, mas não por sua influência causal, sendo a consciência existente antes de nascer o corpo e segue existindo depois de estar morto. Em outras palavras, o que acontece no momento da morte que é invisível ou apenas notável pelo fato de que o corpo vivo está agora morto, quando já não respira e o médico declara morto, quando para a respiração... Então, deixo de respirar, estou morto! A última coisa que se sabe do ser é que ele respirava, e quando respirava, funcionava o resto, quando havia prana, prana no corpo.
Então, voltando ao tema de Oidaterapia, a importância da alma é vital, porque sem alma não há vida nem há morte. E algo tão vital chamado consciência é sintomático de uma existência espiritual, mas que tem habilidades tão extraordinárias, como penetrar cada nervo, penetrar o corpo inteiro, fazer crescer as unhas, os dentes, os cabelos e coisas do tipo, o que realmente surpreende muito. Inclusive na comida que comemos a saliva deixa tudo molhado e se configura em forma de líquidos. O estômago está cheio de líquidos, mas quando está nos dentes, está duro. Então, nosso corpo tem uma habilidade de extrair, compor, fabricar coisas tão duras, como dentes e ossos, e coisas líquidas. É uma coisa bastante complexa de se conseguir. Quando o ser está vivo, está capacitado de transformar a matéria em diversas formas, pode-se dizer assim, aparentemente sem limites.
Essa consciência poderosa que habita no corpo vivo é o que se estuda como psicologia ou bem-estar mental e intelectual de consciência, porque no final das contas, eu digo mental ou intelectual porque as duas combinadas produzem o que se chama de estado de consciência. Bem-estar, mal-estar, deprimido, alterado, fadigado, eufórico, qualquer coisa que produz a consciência que pode ser desde a alegria maior, muita felicidade, até um suicida, pode-se mudar rapidamente de um para o outro, do alto ao baixo, ou seja, é um fenômeno de grande impacto e grande importância.
Neste sentido, a Oidaterapia faz sua aparição trazendo outra vez a Deus, a eternidade, a responsabilidade e a espiritualidade em si, ao tema do bem-estar. Porque quando se fala de fé, se fala da fé naquilo que causa a confluência de todos os seres e de todos os átomos em todos os espaços como sob uma direção cósmica e onde não somos independentes, porque quando realmente cumprimos uma função assim como um pai ou uma mãe cumpre, uma função de gerar um filho, e mesmo isso não está escrito em nenhum lugar. A mãe já sabe que quando tem um bebê na barriga, agora virá um pacote de deveres para ela, começando com o de dar leite ao recém-nascido.
Melhor dizendo, há uma lei, uma ordem universal cuja todos estamos sujeitos, assim como alguém não pode dizer que viverá sem comer ou que não eliminará nada, que não irá ao banheiro porque não gosta dos banheiros, que apenas expulsará pelos poros o que não quer ter no corpo. Você sabe que suando também se expulsa coisas, assim como quando se tem febre e se sua muito.
Este fenômeno é muito interessante e a psicologia ocidental que se foca principalmente no bem-estar temporário não considera este fenômeno universal, e quando considera esta ordem universal tampouco considera a espiritualidade do ser que quer reduzir a psicologia a mecanismos que tratam claramente a fenomenologia natural material observável.
O frio, o calor, o maltrato, o bem trato e tantas outras coisas que é óbvio que a psicologia está se dando conta que não é suficiente, mas em términos de pronunciar a aceitação e impacto curador da espiritualidade e com exceção de algumas correntes de psicologia transpessoal, eles ignoram esta temática, esta força curadora da consciência dentro da espiritualidade, e como já diz a psicologia transpessoal de uma forma oculta que é algo mais além da pessoa, mas se interpreta muitas vezes também mais além da individualidade da pessoa e justamente é a individualidade que faz que esse ser seja quem é.
Por isso, transpersonalidade não deve ser confundida com o fato de que no momento que tivermos que deixar este corpo deixaremos de ser, porque aí temos que reconhecer algo muito importante. Como eu não posso ver a alma, eu poderia ter a especulação de que quando morre, este corpo, esta consciência, esta alma se funde a um estado cósmico além do que eu posso observar, e além disso, perde a personalidade que teve durante o corpo individual. Mas isso é apenas uma hipótese, porque a individualidade vai muito além do corpo físico. É uma consciência de uma jiva, como dizem na Índia: “Quando uma alma que sustenta e mantém uma alma sob toda circunstância, mesmo sua individualidade pode ter uma relação pessoal com o Supremo, de toda a cosmovisão, cosmologia, e com Deus, que está por trás de tudo.”
Em outras palavras, é como um pai que tem uma família muito grande e não tem tanto tempo para cada filho como o que tem um filho só. Deus que tem tantos filhos, aparentemente não tem atenção personalizada com cada um, mas, por isso, de certa forma está em uma posição que inclusive alguns duvidem de Sua existência, enquanto outros percebem sua guia dentro do seu coração e se sentem abrigados, refugiados de muitas formas, por sua própria experiência e sentir um guardião interno, pois na verdade, a relação que temos com Deus e o tempo que Deus tem para nós, depende, sobretudo, do tempo que temos para Deus.
Aí entra a fé, aí entra a fé como curadora. Quanto tempo você tem para Deus? Apenas se tiver fé em Deus terá tempo para Deus. Tenho tempo para meu filme, tenho tempo para meus músculos, tenho tempo para meu intelecto ao estudar, tenho tempo para todas as coisas, tenho tempo para minha casa, tenho tempo para meu cachorro, tenho tempo para polir meu carro, tenho tempo para meu jardim, tenho tempo para partidos políticos, mas, quanto tempo tenho para Deus? Porque se você quiser saber sobre o Infinito, terá que se dedicar ao Infinito. Assim como se quiser saber do temporário, tem que se dedicar ao temporário. Tudo o que não cuidamos, perdemos. Se quiser ser um estudante honesto do amor universal (brahmacari), tem que se dedicar a estudar e praticar a vida com sinceridade e pureza, as 24 horas do dia. Se quiser ter mulher e filhos, se dedique a mulher e filhos, mas não saia correndo.
Então, não é que Deus falhou conosco senão que nós, muitas vezes, falhamos com Deus. E a espiritualidade e a Oidaterapia é aquilo que nos anima a restaurar isto, de restaurar esta carência da nossa vida onde não levamos em conta a eterna realidade, a eterna existência, onde é desde que nasce esta eterna individualidade. E por isso nossa individualidade e nossa relação com a espiritualidade e Deus são fundamentais.
Se você quiser deixar de ter individualidade pessoal, não pode ter devoção por ninguém. É como se um filho dissesse à sua mãe que quer voltar ao ventre porque não gosta deste mundo, e então diz: “Não gosto deste mundo porque não gosto da minha mãe.” É como, de certa forma, ser mal agradecido... “Não gosto do mundo, não gosto da consciência, não gosto da criação que meu pai Deus fez para que eu possa fazer algo com ela ou ser parte nesta criação com o plano divino.”
Aí vem outro tema que a psicologia moderna não considera no absoluto e é o plano divino que há para cada um de nós. Um plano divino que podemos estender mais com a missão de cada um. Como soa isto? Minha missão? Como se sente uma pessoa que não conhece sua missão? Sente-se deslocada, porque a missão faz que a vida seja importante. É como uma mãe que não tem seu filho, ela se sente completamente desamparada, porque a missão dela é cuidar do seu filho e se seu filho desaparecer por um instante, a mãe se sentirá devastada.
Então, a missão de cada um na vida, ou as missões, também há uma missão em relação a Deus, e esta missão em relação a Deus é a missão que se estabelece em nossa consciência sã, equilibrada, com disposição de servir, de ser parte da solução. Porque sempre há situações que requerem soluções e essas soluções são o desafio onde temos que superar nossos egoísmos, onde temos que superar a preguiça, por exemplo, onde temos que superar a indiferença pelo bem-estar de outros.
Por isso, a Oidaterapia é o que realmente foca na importância relacional, a falha nas boas relações é a falha que causa nossa carência de satisfação interna, e pela carência de satisfação interna ficamos em um estado de desequilíbrio onde sai o famoso dizer “não sei o que fazer” – talvez vocês conheçam esta expressão. Se não souber o que fazer, estará em um problema.
A espiritualidade diz que há muito a se fazer, você tem toda uma missão para desenvolver teu amor por Deus e uma das traduções simples é a filantropia, onde eu tenho que me dedicar ao bem-estar dos outros, porque há muito mal-estar no mundo, muito desequilíbrio, assim, devo entrar em ação e criar uma melhor circunstância. E ainda que isso não seja mau e possa ser, mas a essência é que você tem que fazer algo para descobrir sua relação com Deus. Qual é? Você é, e só há uma opção praticamente, você é um ser que deve amar, ser submisso, em última instância temer a Deus, pois um pouquinho de temor por Deus é melhor que ignorá-Lo, e por isso há uma identificação sobre a relação com o infinito, onde é melhor eu me cobrar porque tenho temor do que não me cobrar, pois senão as coisas ficarão piores.
A segunda forma que começamos a dar importância à espiritualidade é porque sentimos um profundo dever e abraçamos este dever com profunda alegria, aceitando que vou me dedicar a isso porque isso é algo belo para mim.
A terceira dos níveis de uma aproximação à espiritualidade com profunda sinceridade é porque me sinto apegado a isso, me sinto feliz de pertencer ao infinito, de ter uma missão, de ter em minha vida algo grandioso estabelecendo minha relação com Deus, porque eu mesmo conquistei muitas coisas e ainda não obtenho satisfação interna, minha vida não tem importância.
A última das relações com o infinito que é a mais elevada e mais sã é estando completamente apaixonado pelo infinito, apaixonado com sua fé da divindade. O que acha de estar apaixonado, pode-se dizer assim, pelo Senhor em uma das suas manifestações, que são: Mãe Natureza, conceito cósmico onipresente, oniconsciente divino, guia interno e manifestação visível do Senhor neste mundo em uma de suas diferentes tradições místicas onde eles reconheceram que ali se manifestou Deus.
Conhecemos isso, escutamos sobre isso, o amamos, celebramos, nos sentimos cativados por isso, sentimos tanta alegria que até queremos compartilhar com os demais e daí surge por exemplo o que se chama de tendência a missionar, porque se tenho uma missão para minha vida, a missão da minha vida tem a ver com as pessoas, porque eu não estou vivendo sozinho no planeta.
Então, se eu tenho uma missão para minha vida, então pode ser muito fácil que esta missão seja de dar a chance a outros de descobrir a missão dentro da minha missão. Na verdade, isso se chama família, família e missão não podem se separar, é a missão de cada pai e mãe que seus filhos sejam bem educados, que tenham um bom futuro, que tenham tudo que precisarem para serem completos em seus compromissos e bem-estar. Em outras palavras, o justo fato de ter nascido para meus pais já é uma missão, eles têm que nos ensinar, o idioma, os costumes, sua fé, seus bons conselhos para tudo na vida.
Melhor dizendo, o processo de educação das crianças já é a missão onde o conteúdo desta missão espiritual tem grande importância, ou seja, é a máxima importância, porque uma pessoa que tenha um bom estado econômico neste mundo não está, pode-se dizer, absolvido da ansiedade de amar e descobrir sua relação com o infinito, o absoluto. Pode-se dizer que as pessoas quando estão muito submersas, absortas no material, são as que mais sofrem, porque não encontram satisfação neste nível que realmente pode encher seu coração.
Por isso mesmo, compartilhar a vida com os demais, este compartilhar pode ser chamado facilmente da grande substância de um ser consciente. Escutar, pensar, falar, os três são inseparáveis. O que pode pensar se não tiver nada a escutar, que falará se nunca escutou nada, em outras palavras, são interdependentes. Apesar de para falar ser necessário a língua que é claramente físico, o som que escuta não é bruto e o que fala tampouco é.
O som e a consciência está atado ao que se escuta e se fala, isto é, pode-se dizer assim, é o nível da fé das prioridades. Em certo momento, eu vejo que tem fome, então minha mensagem para você é comida. Mas se eu vejo que você tem ansiedade e tristeza, a missão prioritária que eu tenho que te ajudar a conseguir não é comida senão que comida espiritual. Mas nossa sociedade moderna não vê comida espiritual, e por não prover comida espiritual, as pessoas estão tão apegadas que mesmo tendo milhões de dólares podem pensar em se suicidar.
Então, é muito óbvio que somos por nós mesmos mensageiros do melhor tipo, e por isso nos comparamos, compartilhamos, nos perguntamos: “O que acha?”, “O que tem escutado?”, “Quer compartilhar comigo, por favor?” e se vemos uma espiritualidade exemplar que faz coisas muito lindas, podemos nos aproximar dele ou dela submissamente e perguntar: “Pode me iluminar? Estou submerso na ignorância de não saber o que fazer, de não saber para onde direcionar minha energia, meu amor, meu todo, pode me iluminar a respeito? Porque eu vejo que você tem uma vida muito linda, focada, é tão sorridente, compassivo, autocontrolado, por favor, compartilhe comigo o melhor, isso pode despertar em mim alguma importância similar, o que poderia curar minha incerteza, minha tristeza, minha existência...”
Sem rumo. Porque todo mundo quer encontrar o rumo de sua vida. Como sempre se anda em círculo, dando dois passos para frente e três passos para trás, então, isso é muito exaustivo para a consciência. Quando passamos sempre pela mesma paisagem, mas queremos chegar a outro destino, parece que está acontecendo algo errado, como quando viajamos e buscamos algo, mas sempre passa pelo mesmo lado, por isso não encontramos.
Assim, a vida sem rumo é naturalmente doentia e precisamos da instrução por parte de uma fonte iluminada, de uma fonte espiritual para nos encaminhar a encontrar um rumo em nossa vida, o rumo para a causa da nossa existência, o propósito da nossa existência, e encontrar que maravilha foi criada tão maravilhosa para poder encontrar algo mais maravilhoso ainda.
Essa é a fé positiva, construtiva, o mundo é maravilhoso, seu criador tem que ser incrivelmente maravilhoso, sua criação é incrivelmente maravilhosa também. E quando andamos nesta fé, estamos firme no que se chama Oidaterapia, a terapia da fé. Daí em diante, virão tuas experiências de acordo ao teu esforço, tuas práticas, tua sinceridade, tua busca, tuas orações, tuas meditações ou o quanto dedica a Deus do teu precioso e maravilhoso tempo, pois cada segundo é um precioso presente já que nenhum segundo jamais se repetirá. Sem dúvidas, cada segundo é a soma, soma, soma da experiência ao máximo grau de conclusões da transcendência que você pôde perceber.
Por isso se diz: “Você vive agora, não vive no futuro, o futuro sempre será outro agora.” Portanto, acredita-se que o agora de amanhã mudará o agora deste momento, mas o agora é o agora. Agora você ama, agora você entrega, agora diz sim, agora diz “Senhor, sou Teu”, tudo isso é o que você conclui veementemente agora, e se disser agora, também terá de viver agora, por isso a vida espiritual sempre é agora.
Por isso eu os convidei hoje para uma conferência antes do mangal artik, o que é pouco comum, mas porque era pra celebrar um destes “agoras” e para compartilhar uma das observações que eu tive que Krishna está preparando este pacote do que estamos falando agora de uma forma muito sutil espalhando-o por todo lugar. E por isso oferecemos humildemente a Oidaterapia para toda a humanidade, para que tenham essa possibilidade de abraçar a espiritualidade com fervor. E esta espiritualidade inclui também cuidar das coisas temporárias de sua vida, porque também no conceito do agora devemos cuida do temporário já que isso é parte da tarefa que nos foi colocado.
Enquanto vivo, cuido do corpo, quando morro, já ninguém cuida, o enterramos ou o queimamos. Esse é um exemplo óbvio da importância do temporário. Mas o agora continua depois da morte. Por isso existem as mensagens espirituais, que nos saturam de confirmações da presença divina.
Jay, queridos. Sempre feliz em receber suas perguntas, sobre este tema e sobre os livros que estejam estudando.
Um grande abraço de amor espiritual de Sri Mayapur Dham.
Haribol.

Seu sempre bem-querente,

Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 13 de julho de 2014

Guru Purnima





“Compreender a importância do mestre espiritual na nossa vida significa ver ao Guru e a Krishna em todas as pessoas que te rodeiam durante todos os dias do ano e atendê-las como se fossem os próprios Guru e Krishna.”

  

          Queridos devotos, recebam todo meu afeto no dia de Guru Purnima. Hoje é um dia especial para se lembrar da luz de Srila Prabhupada, essa luz de Prabhupada é minha vida e alma. O Guru é quem cuida e guia, o princípio universal do mestre espiritual também se manifesta através dos siksa-gurus, quem nos ensina e cuida diariamente. A todos eles celebramos hoje no dia de Guru Purnima.
            Em nossa vida cometemos um erro tantas vezes que se transforma em risco: Apreciamos facilmente pessoas famosas, ricas, importantes, aqueles que têm coisas que nós não temos. Gostamos de tirar fotos com eles, pois se eu estiver com alguém importante, eu também adquiro importância, é como dizer: “Olhe, estou nesta foto com Vandana Shiva” ou até com o Dr. Krapula. Eles são pessoas importantes e eu quero ser importante também, o problema é que no minuto que eu começo a me sentir importante deixo imediatamente de ser importante.
Por que digo isso? Porque o principal não é o Guru que viaja para todo lugar e tem muitos discípulos, o Guru que tem muitos seguidores... E como é alguém importante, quero tirar uma foto com ele. Não, o principal é aquele Guru que te guia diariamente, que cuida da tua vida espiritual, o mestre com o qual se vivencia a vida espiritual.
Guru Purnima é a celebração do Guru – tattwa. É a celebração da manifestação do Mestre Espiritual original. Se eu fizer guru-puja e pensar que ali acabará meu serviço, estarei em um grande erro, porque devo incluir na minha adoração os meus siksa-gurus também, devo atender e servir aquele que está me instruindo. Os pais que guiam seus filhos na vida espiritual também são gurus.
Guru Purnima é a celebração e adoração de todos os Gurus, não só o diksa-guru purnima. Este é o dia para reconhecer e apreciar quem está cuidando de mim, quem é meu guardião, meus bem-querentes, para identificar quem se sacrifica por mim e o que estou fazer por eles. Os comerciantes criaram o dia dos pais e das mães para ganharem mais, mas na verdade ser pai e mãe é todo dia, não só um dia no ano. Assim, Guru não é só o Guru iniciador senão todos aqueles que estão me guiando e protegendo.
Este é um tema complexo. Não se pode simplificar apenas deixando umas flores ao Guru, que me dará um biscoito e ai dou uma doação e pronto. Digo que estive em Guru Purnima. Estamos acostumados a buscar a saída fácil, mas não é tão simples, a aplicação correta é exatamente o oposto. Coloque-se em meu lugar, por exemplo:
- Meu Guru não está neste plano mundano, se foi há vários anos. Eu tenho muitas fotos dele e posso dizer: “Jaya Gurudeva!”, mas a foto não me dirá nada. Tenho lembranças de Prabhupada por ter vivenciado com ele e isso me impacta emocionalmente, mas também me impacta o rosto do devoto que está passando muito mal na sua vida ou ver a uma criança sofrendo. O que quero dizer? Que o princípio do Guru, o Guru-tattwa se baseia na relação real que tenho com as pessoas que me rodeiam.
Ter um mestre espiritual significa reconhecer que sou discípulo e não sou apenas discípulo do meu mestre espiritual iniciador senão das pessoas que estão me cuidando e guiando diariamente. É no contato diário onde reside o Guru-tattwa. Nós meditamos no Guru que está por cima de tudo e acaba que o Guru também está ao teu lado chorando na forma das pessoas que te rodeiam e você não presta atenção porque está muito ocupado olhando o céu, meditando no teu Diksa-guru e lhe oferecendo flores enquanto só dá patadas no outro Guru a sua frente. Por que digo tudo isso? Porque quero que tenham uma visão mais ampla, talvez não seja fácil de digerir.
Para mim, meu Guru está sentado na minha frente dando um monte de instruções através dos seus devotos. A aplicação prática do princípio do Guru-tattwa é muito exigente, porque não podemos ficar perdendo tempo em frente ao Guru, não se pode ser preguiçoso e se todos os que me rodeiam são manifestações do Guru, isso significa que devo estar sempre alerta. É muito importante isso.
Neste momento, lembro de Srila Bhakti Ballabha Tirtha Maharaj, que é um dos meus Siksa-gurus e que, atualmente, está com um pé neste mundo e outro no mundo espiritual. Fisicamente rodeado dos seus queridos discípulos em Calcutá que estão constantemente lhe cantando há meses, pois sabem que Gurudeva pode ir a qualquer momento e não retornar.
Uma vez, Srila Tirtha Maharaj descreveu alguns dos tipos de discípulos, com certo humor. Do que me lembro, um era o “sempre eu”, o discípulo que recebe uma instrução do Guru e na mesma hora diz: “Por que sempre eu?”. Outro dos tipos de discípulos é “a flecha”, que é o que recebe um serviço do Guru e diz: “Sim, meu Gurudeva, às ordens”, sai disparado como uma flecha, mas nunca volta. Outro é o “passa-cargos”, a quem o Guru diz: “Meu querido discípulo, por favor, faça isto que é urgente” e o discípulo diz: “Sim” e logo vai ao outro devoto e diz: “Gurudeva disse para fazer isso logo que é urgente.” Assim, Srila Tirtha Maharaj ria um pouco das relações dos discípulos e nos ensinava com muita profundidade a nos convertermos em bons discípulos.
O momento da partida do mestre espiritual é algo muito forte. Os devotos sabem que seu Guru está indo diante de seus olhos, é algo muito doloroso. Dando um exemplo mundano de hoje em dia: É como viver em câmera lenta o gol que faz perder a partida de futebol, tão lento que quase não se vê o movimento, mas sabe como vai acabar tudo. É um sentimento muito forte, uma emoção muito forte.
Srila B. R. Sridhar Maharaj disse aos meus irmãos espirituais: “Teu Guru partiu, agora deve se render à Verdade.” Claro, alguns levaram a mal e sentiram que estava dizendo que não eram rendidos, mas Srila Sridhar Maharaj estava instruindo que sem a presença física do Guru eles deviam se aprofundar ainda mais e se render ainda mais para realmente ter amor e devoção que são obtidos pela graça do Guru. Nossos Gurus estão nos chamando em todo lugar, os irmãos espirituais, as almas buscando a Krishna, todos eles são nossos exemplos, todos eles são nossos mestres e devemos atender. É pura misericórdia.
Além disso, estes mestres se queixam se não estivermos ativos em nossa vida espiritual, nos chamam a atenção para que nos centremos no serviço, isso é mais misericórdia. Esse é o serviço do mestre espiritual, educar ao discípulo. Então, devemos apreciar a todos aqueles que estão nos educando, o pior é um mestre que não diz nada ao discípulo, assim o discípulo pode fracassar em sua tentativa e o mestre não diz nada.
Quando se é um devoto novo, faz tudo o que o Guru diz. Gurudeva diz: “Venha aqui” e o devoto vai, Gurudeva diz: “Faça isso, faça isso outro” e o devoto faz, Gurudeva diz: “Não faça isso” e o devoto não faz. Assim é. É uma época muito bonita, somos neófitos, até um pouco bobos, porque cometemos muitos erros. Mas quando já estamos muitos anos na Consciência de Krishna as coisas mudam, o Guru já não diz ao devoto tudo o que deve fazer a cada momento, lhe dá mais espaço para desenvolver seu próprio critério. Então, ai vem o difícil, porque o devoto sabe refletir e meditar muito: “O que faço, como faço...”, esta é uma etapa mais avançada onde tudo se torna mais espontâneo, onde se supõe que já sabe tudo o que tem que saber e deve aplicar e provar teu critério, onde a rendição deve ser mais profunda, porque ao Mundo da Rendição apenas entram rendidos.
Srila Sridhar Maharaj usou a fase: “Morrer para viver”. Se quiser viver no nível eterno, então deve morrer no nível do ego, dos caprichos, do apego ao dinheiro, a preguiça. Para viver no Mundo da Devoção deve se livrar completamente de toda luxúria egoísta, da indiferença, da cobiça. Srila Sridhar Maharaj também disse que no Mundo Espiritual tudo é superior a nós, por isso se diz que no Mundo Espiritual se deve caminhar de cabeça baixa para não ofender a todas essas entidades que estão servindo ao Supremo. Devemos seguir o caminho do serviço devocional dia após dia, isso é o que devemos aprender. Por isso, Guru Purnima não é uma celebração de um dia no ano, não é algo tão fácil e barato.
Compreender a importância do mestre espiritual na nossa vida significa ver ao Guru e a Krishna em todas as pessoas que te rodeiam durante todos os dias do ano e atendê-las como se fossem os próprios Guru e Krishna. Porque se ao mestre não atender na prática, então não serve de nada. Significa que não está em nada. Se o serviço estiver bem dirigido, então se converterá em uma Guru-puja, serviço que não estiver centrado não será uma Guru-puja.
O que fazemos ao mestre espiritual deve ser com a melhor das intenções de perfeição. O caminho do Bhakti não é medíocre, o caminho da Bhakti é um presente divino, onde devemos nos tornar responsáveis e cumpridores, e se não chegarmos a desenvolver devoção espontânea, devemos manter como ideal e nos dedicarmos a cumprir com o serviço da melhor forma, dia após dia. Pelo menos tem que cumprir. Não ser um “chichipato” (tonto), como dizem na Colômbia, lá também dizem: “Este tipo no cumple ni años”, confirmando que há pessoas que não cumprem com nada. Ao contrário, devemos nos tornar muito cumpridores. É muito importante cumprir com os 4 princípios, com as atividades devocionais, com o canto do Santo Nome, com a pregação... É importante cumprir com os demais. Cumprir, cumprir e cumprir. Só depois de cumprir, a espontaneidade poderá se desenvolver.
Este dia de Guru Purnima o celebramos como uma festa participativa, não como uma festa de vagos, pois participar em coisas concretas do serviço é Guru-tattwa, sacrifício concreto diário, no controle dos sentidos, no serviço, no coletar Lakshmi para Krishna, no estudo das Escrituras, na atenção à Deidade, no se alimentar apenas de prasada. Sacrifício concreto em compreender que Krishna e Guru estão representados por todas as pessoas.
Deve se lembrar que quando vai a sankirtan se encontra com teu próprio mestre espiritual na rua e é a ele quem conecta com o templo. Como isso? Pois essa alma que está na busca está te mostrando o que tem que fazer, está te dando serviço. É algo incrível, aquele que está buscando a Verdade te mostra Verdade e você também está buscando a Verdade. E pode até ser que esse alguém tenha mais ansiedade que por encontrar essa Verdade e que esteja te lembrando a razão disse que você havia esquecido devido ao costume.
Meus queridos, devemos trabalhar com dedicação pela causa, com a consciência de que nunca vou ser um mestre espiritual, porque sou muito caído e insignificante e, ao mesmo tempo, estudando com o mestres e aprendendo deles. Eu estive na escola de Srila Prabhupada e por isso há muito a esperar de mim, pois Srila Prabhupada mesmo me ensinou.
Assim, se me convidam a falar ou me fazem perguntas, devo atendê-los em nome de Srila Prabhupada, se não o fizesse me tornaria um traidor. Para avançar espiritualmente devemos nos preparar para entregar o que recebemos do mestre espiritual e se não estiver seguro de tudo que te entregaram, então leia seus livros e se associe com os devotos avançados que cantam suas glórias.
Para finalizar este Chat quero comentar algo muito interessante; estamos trabalhando com uns grupos na internet que apoiam para que certos projetos pioneiros sejam financiados. Estes projetos devem ser apresentados com todos seus detalhes personalizados: o nome do encarregado do projeto, onde está, supostamente, materiais, tempo de desenvolvimento, etc. Inclusive, um projeto como uma fazenda pode apresentar diferentes projetos relacionados, como: hospedagem para voluntários, cozinha coletiva, sala de conferências, etc., também se pode incluir projetos como a edição de um livro particular, a produção de um filme ou de uma gravação musical. Eu rogo para que aproveitem esta possibilidade e que apresentem tudo o que gostariam de pedir para seus respectivos projetos encarregados.
Coletem a informação e documentação e enviem ao Office BAP para a revisão, eles informarão se falta algo e logo organizarão para apresentá-lo legalmente. Por favor, atendam este pedido o mais rápido possível, incluindo todos os detalhes técnicos: a conta bancária, local do projeto, etc. Enviem todas as solicitações ao p. Pancatattwa, por favor.
Queria compartilhar isto para que possamos melhorar nossas oferendas de serviço ao mestre espiritual neste dia de Guru Purnima.
Obrigado por ler esta mensagem.
Jay Srila Prabhupada!

Seu sempre bem-querente,
Swami B. A. Paramadvaiti.