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domingo, 31 de julho de 2016

Verdadeira renúncia



“Às vezes sentimos um forte impulso de renunciar a todos os apegos materiais e sair correndo disso, mas nesse caso, a verdadeira renúncia se torna o fato de cumprir com teus deveres e responsabilidades, pois é através deste cumprimento que nos qualificamos para a transcendência.”



Todas as glórias sejam a Srila Prabhupada.
Meus amados devotos, espero que estejam muito bem em seus respectivos serviços. Queria contar que enviar uma mensagem semanal direcionada a toda comunidade tem sido meu costume durante os últimos 15 anos. Sem dúvidas, este ano acabamos deixando de fazer. Esta é uma nova tentativa de recuperar o envio do chat dominical para compartilhar com cada um de vocês.
Há três coisas que não devemos abandonar nunca em nossa prática espiritual:
- tapas (austeridade);
- yagna (sacrifício); e
- dana (caridade).
Austeridade é algo básico para realizar na Era de Kali, Srila Prabhupada chamou também de “vida simples com pensamento elevado”. Sacrifício se expressa como o canto dos Santos Nomes do Senhor, seja na forma de japa, em kirtan congregacional, em conferências ou inclusive escrevendo sobre as glórias do Senhor.
Caridade se refere a criar templos com uma atmosfera tão linda que as pessoas não queiram sair disso e retornar à existências material da qual viemos, lugares cheios de sadhu-sangha.
Tudo aquilo que é realizado na companhia de sadhus ou dos devotos é uma profunda e benéfica purificação. O sadhu-sangha está cheio de rasa, de sabor e apreço pelos demais. Inclusive pode ser que existam pessoas no mundo diante das quais não sentimos apreço natural, mas então elas se convertem imediatamente em receptoras de uma misericórdia especial. Como reza o ditado: “Senhor, por favor, dá-me Tua misericórdia quando eu menos mereça, pois é quando eu mais necessito”. Assim, poderemos manter constantemente a vontade de animar todas as pessoas que estão ao nosso redor, o que inclui tanto os membros da comunidade espiritual como os que não são.
Da mesma forma que temos que aprender a conhecer a ação na inação, temos que aprender o conceito de desapego dentro do apego. Isto quer dizer que enquanto tiver um corpo material, aos devotos que buscam o desapego têm que estar em constante contato com a energia material. Isto é inevitável. Desta forma, os devotos devem manter templos e centros abertos de forma prática e eficiente para que as pessoas possam conhecer mais sobre a espiritualidade, podendo participar de campanhas para resolver situações ecológicas desfavoráveis que possam afetar aos seres que o rodeiam, tem que cuidar de sua saúde e seus respectivos corpos para estar em perfeitas condições enquanto compartilham a mensagem de Sri Krishna ao mundo, tem que manter suas famílias felizes e sãs, tem que se tornar excelentes profissionais nas áreas que Srila Prabhupada definiu que os devotos deveriam estar em ação, etc.
Às vezes sentimos um forte impulso de renunciar a todos os apegos materiais e sair correndo disso, mas nesse caso, a verdadeira renúncia se torna o fato de cumprir com teus deveres e responsabilidades, pois é através deste cumprimento que nos qualificamos para a transcendência. Assim que abandona sua independência e se refugia sob a proteção de um vaishnava, o próprio vaishnava dará responsabilidades para proteger, as quais somente podem ser executadas com um maduro critério e discernimento individual. Dita atitude responsável e cuidadosa é totalmente saudável para o desenvolvimento espiritual daqueles que foram inspirados pelos Pés de Lótus de Srila Prabhupada.
Peço que reflitam sobre estes temas e compartilhem com os membros de suas comunidades e famílias. Jay Srila Prabhupada!
Todo meu afeto do Equador.

Seu sempre bem-querente,

Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 2 de agosto de 2015

Tem que renunciar ao mundo antes que ele te renuncie




“Quando alguém me diz que está triste é porque falta um santo em sua vida. Mas os santos estão por aí... Os santos são aqueles que buscam fazer o melhor de si, não é referente a uma pessoa que nunca cometeu um erro.”


Meus queridos devotos e madres, um abraço de Montevidéu.
A meditação desta manhã é a importância dos santos em nossa vida. Quando é humilde, se dá conta da grandeza que são as personalidades que estão ao seu redor. Quando não é humilde, pensa: “Os santos estão aí no altar” ou “Os santos apareceram há 2.000 anos” ou ainda “Eram mais generosos 500 anos atrás”.
A falta de sentir a presença dos santos protetores nos faz triste internamente. Quando alguém me diz que está triste é porque falta um santo em sua vida. Mas os santos estão por aí... Os santos são aqueles que buscam fazer o melhor de si, não é referente a uma pessoa que nunca cometeu um erro. Há um ditado que diz: “Cada pecador tem um futuro e cada santo tem um passado”.
Krishna diz:

api cet su-duracaro
bhajate mam ananya-bhak
sadhur eva as mantavyah
samyag vyavasito hi sah


“Ainda que um santo cometa um erro grave, se continuar servindo deve ser considerado um santo.”


Mãe do céu! Está difícil!
Não, não, não é difícil, é bom, já que o Senhor é generoso com seus servos caídos. Cometemos erros, mas há um erro que é maior que outros erros: o de ver erro onde não há erro e divulgá-lo; este é o departamento da fofocaria, planos mentais. Quem divulga algo que não é certo se responsabiliza por uma ofensa.
Por isso:

vaco vegam manasah krodha-vegam
jihva-vegam udaropastha-vegam
etan vegan yo vishaheta dhirah
sarvam apimam prithivim sa sishyat


“O impulso da fala, da mente e da ira
O impulso da língua, do estômago e do órgão sexual
Estes impulsos devem ser tolerados pelo firme, ou dhirah
E assim poderá no mundo ser mestre espiritual.”


Pregar é nossa atividade principal. Se fecharmos a boca, então como vamos pregar? Mas ao mesmo tempo devemos controlar a língua. Por isso Srila Rupa Goswami nos dá a fórmula da felicidade, ele disse no Upadesamrta. Ele era um santo da consciência de Krishna, ele sabe de todas as dificuldades que vamos passar, e assim como Caitanya Mahaprabhu no Siksastakam, nos salva se dermos importância.
Lembro de outra coisa, estamos no mundo dos territórios. O mundo material se chama “O mundo de Maya”. Maya significa “medir”. Sobretudo queremos medir os lotes, os terrenos: “esta é a medida”, ou a medida: “Eu sou supervisor, você é supervisionado”, qual é a medida entre nós?
Por todo lado há medida, não apenas medida no chão. Há medidas no banco, há medidas nos privilégios: “Quem pode usar o carro do escritório?”, coisas assim. Há privilégios, há medidas em todos lugares e onde há medida há Maya. Então, estamos enfiados no mundo das medidas até a cabeça. O que fazemos? Temos que perder tudo para nos dar conta que as medidas não são o que é.
Quando você compra uma casa, qual é a medida? Primeiramente tem que escriturá-la. Se não estiver escriturada, não é sua. Pois a escritura tem que ser registrada no Cartório, certo? Se não tiver registrado no Cartório outra pessoa ainda pode vender a casa. Quando você não registra, fazem toda uma bagunça. Muitas coisas foram vendidas cinco vezes a cinco pessoas porque foram bobas, porque não registraram. Não nos asseguram quem está registrado no Cartório, porque você apenas pode comprar de alguém que esteja registrado no Cartório, caso contrário, a venda é fictícia.
Eu te vendo a praia de Montevidéu. E como sabe que me pertence? Alguém diz: “Eu gostaria de comprá-la, e pronto”, quando for ao Cartório mandarão a polícia dizendo: “Chegou um louco que diz ser dono da praia de Montevidéu”. Todo engano começou assim. Como se chama isso? Ocupação. Ou também se chama a lei da conquista.
Quem ocupa e registra é o dono. Isso é Maya, isso é a guerra dos territórios e nós fomos treinados desde que nascemos na guerra dos territórios. Inclusive há territórios que são mais sagrados, mais confidenciais, que são os territórios do coração de cada um. Sabe como entrar aí? Esse é outro mundo. Sabe como se chama o mundo? O mundo dos céus. Incrível!
Também os céus fazem medidas. Não pense que medida é só um metro, um pé. Não, não, não, a maya da medida vai por outro lado. A medida é: “Me quer ou não me quer? Me quer ou não me quer?”, a medida é ver se me quer ou não. Um exemplo territorial: Eu uma vez estive na Hungria, e uma madre, ainda minha amiga, me disse: “Você e o swami pregam apenas às meninas jovens e bonitas, a nós não pregam, nos deixam de lado.” Foi a medida, quando fala com A, quando fala com B, quando fala com C., são novos e se não são devotos precisam que seja dedicado mais tempo a explicar. Agora, “Você acredita que eu não te quero porque é mais velha de idade ou porque elas são loiras?”, isso é mundano, isso é uma manifestação territorial do medir.
É claro que todos querem ser importantes e atendidos. Tranquilo, todos somos importantes, porque somos parte de Krishna e todo mundo que é parte de Krishna é importante. Não há ninguém que possa dizer “só ele ou ela é importante”, para Deus todos somos importantes. Por aí a coisa caminha.
Medir é o princípio de toda forma de engano, inveja ou ciúmes. Também medir é outra forma que a autoestima se fere. A educação que recebemos nos fez pensar que aquele que não conquistou terra não tem nada. Mas todos os territórios, todas as medidas, não importam quais sejam, são derrotadas pelo tempo.
Os papéis das notas não servem para nada em 500 anos. Um lugar já teve muitos donos antes, ninguém saberá quem é o dono real de nenhuma casa. Ou melhor, se sabe que ninguém é dono das terras. Inclusive o matrimônio é uma medida. “Bem, vamos ao juiz agora e nos casamos”, o juiz pergunta “Todo dinheiro que ganhem pertencem aos dois?”, e eles dizem “Não, não, não, isso não quero. Quero casar, mas em separação de bens”, isso é outra medida. Está tomando outra medida para saber se a medida favorece.
Todas as medidas são cálculos e todas as medidas são ilusões que vão revelar um fracasso no final. Por isso, uma pessoa devota tomará outra medida, e a medida do devoto é a que ele diz:

        - Tudo é de Krishna. E o que chegar em minhas mãos vou registrar em nome de Krishna, porque eu quero que seja de Krishna.

E registrar algo em nome de Krishna não é fácil. Vá ao cartório e declare:

- Quero doar esta casa ao Senhor Krishna.
- Quem é Krishna? Me dê o número de passaporte. Qual é o seu mandato?
- Ah, não, Ele é Deus.
- Ah! Aqui Deus não registra nada, não é dono de nada.

Vê a loucura das medidas? Não pode dar a Deus algo porque Deus não existe aqui legalmente. Ele não é uruguaiano, sentimos muito.
Atenção: Na Índia você pode registrar legalmente uma propriedade em nome de uma Deidade. E pode ter dois pais: o biológico e o mestre espiritual.
O Guru é um pai legal na Índia. Quando eu firmei meu nome na Índia: Paramadvaiti Swami, filho de Bhaktivedanta Swami Prabhupada. Isso é legal porque é meu guru. Como ele foi meu guru, eu tenho o dever de repetir o que ele ensinou. E se alguém vir a Prabhupada hoje e dizer: “Quero doar uma casa a Prabhupada, a quem dou? Paramadvaiti Maharaj, venha aqui... Você em tantos anos com Prabhupada, quero que você ofereça isto a Prabhupada.” PLIM! Doa a casa. Então, a casa não é minha, mas ao dar a casa a Prabhupada, tenho que garantir que será usada para Prabhupada.
Quando o absoluto e o relativo se encontram há choque, porque tenho que adaptá-los, tenho que aprender como fazer isso. Como combinar o Absoluto com o relativo. O ensinamento puro absoluto é perfeito, mas o relativo também é parte do Absoluto.

om purnam-adah purnam-idam
purnaat puranm-udachyate
purnasya purnam-aadaaya
purnam-eva-avashishyate

Então, harmonizar entre o relativo e o absoluto. Isso fazem os sábios, os santos. E quem são os sábios? Vocês. Vocês são os sábios, e se forem sábios de pouca experiência, tem que ajudá-los. Abrir sua visão, ampliar o horizonte. Assim, é uma escola de se tornar brahmana, uma escola de se tornar santo. Esqueçam os territórios, tudo pertence a Krishna. E todo aparente território está perdido.
Dou mais um exemplo, falando do território matrimonial. Às vezes as pessoas se casam e a esposa pensa: “Você agora é meu esposo, depende de mim, etc.”, ou o esposo pensa o mesmo da esposa e a trata mais ou menos como uma prisioneira. E se a outra pessoa não reage como quer, já começam as brigas. Isso sobre as medidas do matrimônio são totalmente diferentes, na verdade, deve aceitar que Krishna tem que ser posto no centro, Krishna deve ser o critério máximo.
As medidas que você toma em seu matrimônio devem ser guiadas por um santo, não podem ser resultado de como você mede as coisas com sua mente, isso é um risco. Se você quiser saber o que está bem ou mal, tem que perguntar ao mestre espiritual, ele te dirá o que é melhor e ambos no casal dizem: “Gurudeva disse isso, que felicidade que nos deu uma instrução”. Um bom matrimônio é feliz com essa consciência e asseguro que assim nunca haverá um choque entre vocês, pois o Guru é o melhor amigo do casal.
Mas veja, quase sempre todos os matrimônios têm conflitos territoriais. Territoriais financeiros, territoriais de tempo, territoriais do departamento. Entre casados, entre irmãos, o que dizer das pessoas que nem se conhecem.
Quando uma mulher me diz:

- Eu acredito que meu esposo está me enganando.
E eu pergunto:
- É verdade que ele está te enganando? Está segura?
- Sim, estou segura.
- Tem prova?
- Sim, tenho prova.
Então ela pensa que agora que vou me chatear, mas minha resposta é:
- Parabéns.

Por que eu felicito uma pessoa que foi enganada por seu par? Qual razão eu tenho para felicitar? É a seguinte: Este território que você pensava ser seu, acaba de se romper, ele não é seu. E ele não respeita seu coração e é melhor que saiba agora do que se dar conta só quando tiver 88 e perceber que foi enganada toda a vida. É melhor um fim com susto que um susto sem fim.
Então, se uma coisa for fraudulenta, se algo for falso, é melhor que se revele logo. Parabéns. No fim se dá conta que a coisa não anda. Claro que é triste, eu também choro quando me inteiro de histórias assim. Então, territórios, só Krishna sabe quem é quem, todos os territórios são dELe, nós somos estudantes, aprendizes. Krishna nos dá as oportunidades.
Para saber como manejar...
- Aqui tem US$10 mil, o que fará?
Como a história do filho pródigo, o pai lhe dá dinheiro, ele investe e o aumenta. O pai diz:
- Muito bem.
Ao outro filho dá o mesmo, e ele o desperdiça, se intoxica, faz toda a estupidez e desaparece. Onde está? Não sabemos. Mas três anos depois volta ao pai:
- Eu fui o maior estúpido, desperdicei tudo o que me deu.
O pai o toma em seus braços, e o outro filho que investiu bem diz:
- Pai, como o trata assim? Esse daí merece chicote!
- Não, mas este é o meu filho.
Ensinamentos, sabedorias...
Agora quero dar a chave da felicidade na consciência de Krishna. Esta joia é o Upadesamrta, texto 5:
“Devemos honrar mentalmente ao devoto que canta o Santo Nome do Senhor Krishna. Ou qualquer outro nome de Deus. Quem canta os Santos Nomes de Deus tem que ser respeitado.”
Inclusive alguém que cante à Pachamama, a Pachamama não é Deus, mas é o aspecto da misericórdia de Deus. Quem canta à Pachamama, também respeitamos. Se você não respeitar as pessoas que cantam o Santo Nome, de alguma maneira estará semeando a sua própria tristeza.
Depois, deve oferecer humildes reverências – quer dizer com a cabeça no chão – ao devoto que se submeteu à iniciação espiritual diksa e está ocupado em adorar a Deidade. A quem adora a Krishna na manifestação da Deidade: minhas reverências a você.
Não: “Olá, prabhu. Dandavats. Me dá licença na passagem.” Devemos ser muito respeitosos e atentos. As relações devem ser doces no tratamento, de muita convicção e apreço. Não pode adorar a Goura Nitay se não adorar ao Seu devoto. O devoto pode cometer falhas, está no processo, mas o que puder dar é muito mais valioso para ti.
Logo, o verso continua:
“E devemos nos associar e servir fielmente ao devoto puro que está à frente quando ao serviço devocional, executando sem desvios e cujo coração está sempre livre da propensão a criticar aos demais.”
 Aos devotos avançados, devemos servi-los e escutá-los. Aos que perdem tempo falando mal de outros: não perturbem, não tenham tempo para eles. Para que você possa ser feliz na consciência de Krishna, há três chefes:
Um: É o chefe menos avançado que você. Por que ele é seu chefe? Porque é seu dever dar a mão para ele levantar, ele é seu chefe porque ele te diz o que fazer. “Me ajude”, “Sim, sim, vamos. Pegue aqui na minha mão”, essa é a primeira relação, ajudar as pessoas que sejam menos avançadas que você.
Dois: Fazer uma amizade inabalável com as pessoas que também estão na luta como eu. Vamos à realidade: todos estamos aqui na luta. Não é que logo fechamos os olhos e os pés de Krishna se manifestam em nós como uma lótus brilhando. Todos estamos na luta, não há dor nem pena admitir que estamos todos aqui lutando. Mas os que estão na luta pela causa da nossa missão em Montevidéu, os que estão identificados, com eles faça uma amizade bem apegada que ninguém os separe. Super cola. Assim tem que ser com todos que estão na luta.
Para que a amizade possa amadurecer mais e crescer aumentando seu círculo de amigos. Sempre há complicações, é natural, mas como eu sou amigo, busco ajudar quando me pedem. E quando não me pedem, talvez eu não possa fazer nada. Mas se eu vejo a um devoto avançado que está servindo ao meu guru seriamente, neste caso eu devo oferecer minha plena colaboração. Não apenas: “Eu gosto de você, reverências, Haribol”, mas “O que precisa? O que faço?”, chega na festa de domingo “Trouxe uma preparação. Divulgo convites? Eu posso fazer o anúncio, o que você quiser”.
A todo mundo tem que dar tempo, a todo mundo tem que dar consideração. Isso é Consciência de Krishna. Todos os problemas na vida espiritual têm solução. Não existe situação que não haja solução. Porque a medida do Senhor Krishna é de nos resgatar da ilusão, por isso Prabhupada veio ao mundo, por isso o temos no altar, por isso temos Gurupurnima, para celebrar.
Esperamos que Gurupurnima traga muita luz, clareza e muita alegria para todos. Porque vamos seguir lutando assim como é. Porque eu também venho lutar pelo Uruguai e por seus devotos, aos santos mensageiros que seguirão em frente, porque repito: Estamos acabando de começar.
Vocês não sabem que alegria me dá ver aos devotos felizes no templo. Por exemplo, aqui, na vez passada, faz um ano, éramos como cinco ou quatro recém fazendo a primeira equipe. Então me dá muita alegria ao ver o progresso, e por favor: União faz a força. Solidariedade e amor.
E poder nos sentir felizes, porque não há território, porque todos os territórios pertencem a Krishna. Reconheçam: Quem não reclama de território não tem problemas territoriais. Por isso os renunciantes, brahmacaris, vishnupriyas, sannyasis são tão felizes, porque não têm nada. Há grihastas renunciantes também.
Quando se tem coisas, tem sua independência, faz sua própria economia, busca lutar sozinho. Mas naturalmente disso temos um pouquinho cuidando dos espaços conseguidos. Mesmo que tudo seja ilusão, porque no momento da morte não leva nem sua kanti mala, enquanto isso se trai de tanto calcular quais são suas coisas neste mundo.
Todo território é de Krishna, essa é a sabedoria, tem que aprender aos bons modos: “Tem que renunciar ao mundo antes que ele te renuncie”. Outro ditado: “Tudo o que não der é o que perderá”.
Veja que sabedoria é a que tinha Rupa Goswami ao escrever isso anos atrás. O Senhor Caitanya também disse coisas, uma das mais importantes: Trinad api sunicena. Sem trinad api sunicena não pode viver em um templo, sem humildade não se apaixona pelos devotos.
Jay Sri Krishna, Jay Sri Krishna!
Sri Caitanya Mahaprabhu!
Srila Prabhupada ki jay!

Com afeto.
Seu sempre bem-querente,

Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 14 de junho de 2015

Rendição é conectar-se com a frequência de não ter nenhum interesse separado de Krishna




“Quanto mais atitude de serviço às almas e a Deus desenvolvermos, mais valiosa torna-se nossa vida.”


Queridos devotos, aceitem todo meu afeto do Equador.
Tem sido dias de muito néctar, visitando dois ou mais programas no dia. Os devotos do Equador, sem dúvida, estão esforçando-se muito para pregarem. Em Vilcabamba fiquei impressionado, havia mais de 50 pessoas no programa, e isso porque é um programa relativamente novo. Amanhã já teremos uma nova viagem. Feliz por ter estado nas terras equatorianas.
Hoje quero compartilhar umas palavras sobre rendição. Rendição é a aceitação absoluta, em palavras e em compromissos, preferencialmente em pensamento também. Distinguindo e aceitando o favorável para progredir no caminho de volta a Deus.
Chegar à morada de Deus é a meta da vida, não há nada mais importante que isso. Não há nada melhor que isso, mas no caminho também surgem impedimentos. Por isso, o aceitar das condições favoráveis para dirigir-se na direção correta é um dos sintomas da rendição. Outro sintoma é a decisão e a determinação de rejeitar tudo aquilo que não seja favorável no caminho para alcançar os Pés de Lótus de Sri Krishna.
No começo pode ser que não estejamos seguros de qual é a meta que queremos alcançar, talvez apenas percebamos algumas coisas, como exemplo que nossa meta é positiva, que está muito além da dualidade e portanto nos entregará a verdadeira paz que está muito além das misérias e mentiras deste mundo material.
Sem dúvidas, a essência da rendição é conectar-se com a frequência de não ter nenhum interesse separado de Sri Krishna e para isso devemos nos perguntar e orar sobre qual é a doce vontade do Senhor para mim.
A rendição traz grandes mudanças na existência de uma pessoa, é uma transição, um grande passo de mudança dos esforços guiados pelo egoísmo à completa dedicação espiritual livre do benefício pessoal. Isso é levado à prática na medida que utiliza-se tudo que é recebido no serviço amoroso do Senhor.
Na América do Sul dizemos: “Fazer bom uso de uma má pechincha”. Essa é a filosofia do yukta vairagya, utilizar tudo quanto tenhamos a serviço do Senhor, pois Ele é a fonte e a origem de tudo.
Na frequência da rendição tudo torna-se positivo e progressivo, na vida da rendição devemos nos esforçar para sermos conscientes de tudo o que recebe e também por distinguir as coisas de forma adequada.
Devemos apreciar tudo o que chegar, valorizar a própria vida como um presente de Deus. “Quão importantes somos?”, essa pergunta só pode ser respondida em relação com a causa da nossa existência. A causa da nossa existência é o propósito dela e o propósito da vida humana é ser um servo de Krishna: “jivera svarupa hoy krsnera nitya dasa”.
O propósito da vida humana é o de ser um servo de Deus. Então, a importância da vida de cada um é medida em relação à conexão que temos com o serviço a Deus. E o serviço a Deus é o serviço a todas as almas, o serviço para que as outras almas tornem-se também conscientes de Deus.
Essa é a essência da nossa vida, portanto, nossas vidas tornam-se muito importantes. O valor das nossas próprias ações depende de onde estão direcionadas. Se atuarmos para servir, então nossas ações e nossa vida tornam-se muito valiosas, é algo proporcional, quanto mais atitude de serviço às almas e a Deus desenvolvermos, mais valiosa torna-se nossa vida.
Se não utilizarmos nossa vida de maneira correta, então não estaremos mais que perdendo tempo nas coisas do mundo material, como seguir a moda, ter joias melhores, diversão das formas mais extravagantes, etc.
A vida vai das mãos tão rápido que quando damo-nos conta, já estamos completamente consumidos pelas garras do mundo material. Por isso, meus queridos, este é o momento indicado para fazer uma autoanálise profunda e perguntar-se: “Quem sou eu? O que faz minha existência ser valiosa?”. Já dei as pistas para que cada um responda estas perguntas.
Não há nada mais belo e auspicioso que a Verdade. É através da consciência que cada alma pode dar-se conta de qual forma é parte dessa Verdade. Devemos fazer a confecção com nossa consciência de servos eternos. Não é um estado artificial, é uma realização que descende do mais elevado graças à misericórdia sem causa.
E o mais importante é que devemos treinar para nos tornarmos bons servos. A prática diária, o esforço diário é o que nos prepara para isso. Avançamos conforme ansiamos servir. É proporcional: mais serviço = mais avanço.
O serviço devocional é a raiz verdadeira de todo esse assunto. Como é vivenciado este serviço devocional na prática? Ao lembrar-se de Deus, ao fazer planos para Deus, quando trabalhar e esforçar-se para melhorar e tornar-se apto em algum momento para servir a Deus.
Tudo isso que aspiramos no processo da vida espiritual não é algo ordinário, ao contrário. Ou melhor, estamos falando da meta suprema da vida, nada menos que isso.
Podemos apenas nos conectar com essa meta à medida que nos mantivermos vinculados com uma fonte fidedigna de energia espiritual e reciprocando esta conexão com a atitude correta. Essa atitude é a rendição da qual falamos no início, a atitude de rejeitar todos os interesses egoístas separados de Sri Krishna.
Esta é a nossa oportunidade para decidir se vamos nos render à Fonte Suprema ou continuaremos rendidos ao materialismo cujo servimos vida após vida.
Com estas palavras me despeço hoje. Espero que possam refletir nelas durante a semana.
Jay Srila Prabhupada!

Seu sempre bem-querente,

Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 24 de maio de 2015

Assim que separar-se do Absoluto estará confinado ao relativo





“Para aqueles que estão lutando para se renderem à vontade do Absoluto e se converterem em devotos, a pregação é a ferramenta fundamental para nutrir a vida espiritual.”


Meus queridos devotos, aceitem meu afeto da Venezuela.
Hoje quero compartilhar umas palavras sobre a união com o doce absoluto. Devemos entregar nosso coração e alma ao domínio absoluto do amor, esse é o nível do Absoluto.
O mundo, o amor, está muito além dos desejos, dos anseios e das lamentações. O mundo do amor é uma dimensão muito fina, tanto que naquele domínio poderá se unir com a doce vontade do Absoluto. Essa é a chave em todo esse assunto, unir sua alma com a doce vontade do Absoluto que sempre favorece a devoção e aos devotos.
Deus tem planejado o absoluto bem-estar para ti, mas você deseja separar-se de Sua vontade e obter o bem-estar relativo tentando convertê-lo em absoluto. Deus é doce e possui uma doce vontade e te incluiu nessa doce vontade. Mas deve render-se à Sua doce vontade. Rendição ao Absoluto do mais profundo do coração. Deve entender que apenas desenvolvendo amor pelo Absoluto existirá um bem-estar absoluto e positivo que está esperando por você, e que Ele mesmo está te buscando.
O Absoluto deseja seu bem-estar absoluto devido ao fato de você ser parte absoluta Dele, mas devido ao fato de possuir a função absoluta do livre arbítrio – pois é parte e porção do Absoluto – então deve exercitar sua capacidade absoluta de decidir. Decidir se “desejo entrar em contato com o Absoluto, se desejo me unir com o Absoluto, se desejo abraçar a doce vontade do Absoluto e se não desejo mais usar faculdades mentais para me separar do Absoluto.” Porque assim que separar-se do Absoluto estará confinado ao relativo, porque no relacionamento ao Absoluto tudo tem uma só meta. No amor, a meta é uma.
Aquele que imersa no plano material tentando mudar seu rumo e direcionar-se ao centro absoluto é conhecido como um devoto. E quando existir algum conflito entre aqueles que se empenham em permanecer nas áreas relativas e tomar posse delas e aqueles que querem se direcionar aos níveis espirituais absolutos, é então que o Senhor mesmo descende do centro de tudo e protege ativamente Seus devotos.
Essa é a misericórdia especial do Absoluto naqueles que se renderam à Sua doce vontade. E para aqueles que estão lutando para se renderem à vontade do Absoluto e se converterem em devotos, a pregação é a ferramenta fundamental para nutrir a vida espiritual.
Srila Prabhupada estabeleceu as festas dominicais como a forma mais tradicional de pregar no Ocidente. Em nenhum lugar onde vivam os devotos deve existir um templo fechado aos domingos. Não é permitido. Isso é um alerta! Escutei que existem templos sem festa dominical e isso é grave. Foi instaurado pelo próprio Srila Prabhupada e isso me preocupa.
Pode ser que não possamos exigir de todos os devotos da comunidade que participem na festa de domingo, pois pode ser que eles também estejam ocupados em organizar diferentes festas e programas durante a semana. Mas devemos reconhecer que ser anfitrião de uma festa vaishnava é uma grande honra e outorga o maior grau de alegria.
Nestas festas não pode haver escassez de prasadam. Se não houver muitos cozinheiros, que possa haver muitas e variadas preparações, então deve haver pelo menos uma paella deliciosa ou um super kitri ou upma e um doce em grande quantidade. Isso é o mínimo. Outra opção é que os próprios devotos e grihastas da comunidade possam cozinhar em suas casas e levar diferentes preparações ao templo. Assim poderá ser feito uma festa com muitas variedades de prasadam. Apenas precisamos que hajam reuniões e seja permitido a todos os devotos da comunidade (os do templo e os que vivem fora do templo) a participarem ativamente.
Cultivem esta tradição familiar com amor e confiança. Deve haver uma lista dos afazeres e tarefas para organizar a festa antes, durante e depois. Tem que estar preocupado para que tudo fique muito limpo assim que termine a festa para assim poder continuar os serviços no dia seguinte de manhã.
Mais festa significa mais alegria, significa mais vaishnava, mais trabalho, mais serviço, mais devoção e mais autocontrole, ou seja, menos Maya. É tudo matemático, projeto de salvação em serviço amoroso, “a festa do amor espiritual dominical”. Claro que isso não exclui que a cada noite nos templos deva haver uma mini festa de pregação também, onde seja dada uma aula do Bhagavad Gita, façam kirtan e distribuam prasadam. A associação com os vaishnavas significa instruções sagradas, kirtan e prasada.
Além disso, temos muitos materiais para apresentarmos às pessoas, todos eles introduzem-se no meio da festa. Assim, cada convidado pode encontrar a forma que mais gostar para adorar e servir a Deus. Essa é a nossa luta para difundir as glórias do Absoluto Senhor Supremo e contagiar todas as almas com este movimento que leva a nos separarmos do relativo e nos rendermos à Sua doce vontade.
Desejo um grande abraço e agradeço de coração todos aqueles que estão pondo energia para manter estes belos festivais dominicais de amor.
Compartilhem esta mensagem com todos os membros de suas comunidades.
Jay Srila Prabhupada!

Seu sempre bem-querente,

Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Lembrem-se de sempre se renderem sem nenhuma condição




“Se eu me rendo ao meu Senhor, tudo está bem, porque se estiver pensando em Ti, meu Senhor, mesmo tendo que morrer tudo é fantástico.”


Muito bom dia, queridos devotos. Recebam minhas saudações do México Yatra. Esta manhã me chamaram para me avisar que uma de minhas filhas entrou em coma, mesmo estando mal por isso como pai, estou bem porque estou com meu Senhor. Se eu me rendo ao meu Senhor, tudo está bem, porque se estiver pensando em Ti, meu Senhor, mesmo tendo que morrer tudo é fantástico.
            Não é que gosto de falar isso, mas a madre que está no hospital talvez morra hoje ou talvez morra depois, não se sabe, dizem que pegou uma bactéria. Por isso mesmo, estando bem ou mal, se estiver com meu Senhor não há nenhum problema. E quando chega a morte as pessoas vão sem nada, ninguém leva nada. Krishna dá e Krishna tira o que quiser. Por exemplo, aqui no México nos deram uma fazenda, e faz muitos anos que estamos pedindo uma. Mas apenas Krishna sabe o porquê ser assim, pois mesmo que haja transcendais propriedades não são necessariamente no dinamismo da rendição.
            A rendição implica pensar que o que faça meu Senhor, sem por condições, um devoto rendido diz: “Senhor, você é meu Senhor incondicional e não se atar a uma condição ou outra.” Alguns dizem “não, não faço isso porque está frio ou porque é muito calor”, imagine, como os devotos dos Cabos, aqui no México tiveram que tolerar um furacão em cima de suas cabeças.
E estes devotos mesmo apesar das calamidades, logo que o furacão passou conseguiram distribuir prasadam aos prejudicados. Por isso, tem que se render, não sabemos quais calamidades virão, por isso Bhaktivinoda Thakur dizia “Aquele que não deseja nenhum tipo de desfrute, deste devoto eu quero ter sua associação.” Por isso, temos que nos render sem nenhuma condição e sugiro que tenha como guia da sua vida este Senhor Supremo e sempre estejam felizes por servi-Lo.
Com estas palavras terminamos o chat do dia de hoje, pois temos iniciações e bodas para o dia de hoje. Lembrem-se de sempre se renderem sem nenhuma condição.

Swami B. A. Paramadvaiti.