domingo, 16 de agosto de 2015

A renúncia verdadeira



“Renunciar significa deixar tudo aquilo que não produza verdadeira alegria, tudo aquilo que não produza êxtase e espiritualidade. Isso é o que há de renunciar.”


Meus queridos devotos, recebam todo meu afeto do Chile.
Estamos celebrando este momento que é histórico onde Gurudeva Atulananda entra na ordem de renúncia, o quarto dos ashrams da vida; que são: brahmacarya, grihasta, vanaprasta e sannyas. Srila Prabhupada disse uma vez que chegar nesta etapa da vida é obrigatório para um ser humano.
O que dizer a um mestre espiritual que é discípulo de Srila Prabhupada e dedicou sua vida à pregação no Chile e no mundo. Tenho a fortuna de estar considerado entre seus amigos e irmãos e de lhe entregar a sagrada ordem de sannyas em nome de Srila Prabhupada e do meu sannyas guru Srila Bhakti Raksak Sridhar Deva Goswami Maharaj.
É uma honra, é uma alegria e também é uma formalidade, porque diante de Srila Prabhupada somos diretamente seus filhos, mas ele também queria que nos tornássemos sannyasis em algum momento.
No caso de Gurudeva Atulananda é ainda mais impressionante, porque há vários discípulos dele mesmo que já são sannyasis e que participam desta sagrada entrega sem inveja, ou melhor, com toda vontade e com todo gosto de sua alma. Isso nos faz sentir a grande alegria de que a Consciência de Krishna que até hoje está conhecida como a Família Vrinda no Chile, está proliferando, crescendo prosperamente e dando mais orientações de serviço a todos vocês.
Este é um dos presentes que Krishna nos faz nesta vida: nos entrega o serviço. Serviço a Krishna não é serviço mental, é serviço com todo coração. Serviço a Krishna é algo muito especial, pois pode te conectar com a Suprema Personalidade de Deus da manhã até a noite. É algo glorioso e grandioso que transforma a vida.
Estamos hoje reunidos aqui neste lugar sagrado de Ekachakra que também é um presente que Gurudeva Atulanda fez a Srila Prabhupada entre os tantos presentes que ele deu em sua vida.
Gurudeva sempre esteve dando seu amor e tudo o que pudesse entregar, deu três filhos ao mundo: Pandit, Mohan e Harijan, filhos de Sarvakanti devi que Krishna levou há pouco tempo. Assim é o Senhor, quando quer que alguém esteja aqui neste mundo, o mantém, e quando Ele desejar, o leva.
Os presentes de Gurudeva Atulananda para o mundo são múltiplos e, em essência, são presentes de Srila Prabhupada, porque o devoto não tem nada próprio, tudo o que tem é do seu Guru.
Isto é enfatizado por Srila Bhakti Raksak Sridhar Deva Goswami, quem disse que para se salvar e curar deste mundo a pessoa deve lembrar sempre de três coisas:

1.                  Todas as belas mulheres do mundo pertencem a Krishna. Ele tem os direitos reservados por suas gopis. Se por casualidade você se casar, então receberá a permissão de cuidar de uma das gopis de Krishna com licenças extraordinárias para poder convidar alminhas extraordinárias a este mundo, almas muito lindas e importantes;
2.                  Todo o dinheiro do mundo, sem exceção, toda a opulência, todas as terras, os rios, as montanhas, as nuvens, as galáxias, etc., pertencem a Narayan. Inclusive o que tiver nos bolsos pertence a Narayan e deveria ser utilizado para Ele;
3.                  Todo o êxito, toda a fama, todos os serviços, todos os poderes, empoderamento, êxitos em conferências, nas pujas, nos yajñas, tudo o que tenha feito com êxito na vida pertence ao nosso Srila Prabhupada, ao Guru, porque o Guru não é um indivíduo, o Guru é o representante de Tattwa. Ele é do Guru Parampara, da Vontade Divina e desta forma ele naturalmente representa a Srila Prabhupada.

Hoje é um dia muito especial, da sannyasa de nosso Gurudeva. Tive a fortuna de estar associado com Chile Yatra como testemunham Mathura Mandal e Kalpa Vriksa e alguns outros devotos antigos de muito tempo atrás, inclusive antes da fundação da família Vrinda e, pode-se dizer, que sempre fiquei cativado pelo Chile. Não digo isso para ficar bem com vocês, mas me cativou a maratona de Ponto Alto, o carinho, o humor, a arte e pelo standart que os devotos tinham nesses tempos. E desde então Gurudeva Atulananda era o standart e isso se mantém até hoje.
Tem sido quase um matrimônio, Krishna nos juntou, Srila Prabhupada nos juntou pelo desejo de sua divina providência para que nós pudéssemos colocar nossos remos no barco do nosso mestre espiritual e assim remarmos juntos em ambos lados para que o barco pudesse seguir adiante.
Com o tempo o barco se tornou maior e maior e mais pessoas foram entrando nele. Hoje em dia já somos um monte de gente remando, não? Assim, remamos para que o barco vá bem longe, cruzando o oceano de repetidos nascimentos e mortes. Quando alguém solta os braços, o outro continua remando e diz: “Vamos, vamos, não solte aqui, melhor ainda se remar mais, o caminho é bem longe para sair da ilusão!”
Por isso apreciamos a presença dos que tem remado com a gente, como o prabhu Kanka, Krishna Kirtan, Vrajapriti, Kadamba, os do passado, do presente e do futuro, porque são muitas pessoas que têm ajudado. O que dizer dos nossos sannyasis que estão sentados aqui; chilenos – bem, não chilenos, como sannyasis já não pertencem a um país – eles não conhecem limites, não conhecem fronteiras, são as almas do mundo, isso é o mais bonito que estamos vivenciando hoje aqui.
Eu disse algo esta manhã e vou repetir, porque considero essencial: O exemplo de Srila Atulananda Acarya é simbólico, porque realmente representa a renúncia de todos nós, a renúncia de Srila Prabhupada pelo mundo. Representa a Sri Caitanya Mahaprabhu mesmo tomando sannyas e deixando Vishnupriya Devi, quem estava completamente rendida em amor a Ele.
Sem dúvida Mahaprabhu a deixou porque sentiu o chamado interno muito forte. Assim se dirigiu a Keshava Bharati e aceitou a ordem de renúncia que estremeceu ao mundo. Nesse momento se iniciou um sacrifício que é o sacrifício da nossa missão, o sacrifício do nosso sendeiro, um sacrifício muito lindo. Por isso é dito “renúncia amorosa”, aqui não se diz “renúncia odiosa”, aqui não se diz renunciar porque este mundo é muito mau, não. É uma renúncia devido que o mundo de Krishna é tão belo que queremos fazer a Ele uma contribuição substancial e esta contribuição substancial se chama para vocês Chile Yatra, e para o mundo se chama Missão Vrinda.
Porque a Missão Vrinda é o serviço ou sacrifício que Gurudeva Atulananda fez, quero lembrar também ao grande devoto que foi uma das grandes inspirações neste caminho, nosso mais querido irmão espiritual Srila Bhakti Bhimala Harijan Swami Maharaj da Colômbia. Ele é parte deste trio, porque não fomos dois, fomos três que estávamos ali levando este esforço.
Em realidade, nós não nos sentimos qualificados como mestres espirituais, nós tomamos este desafio, este serviço, porque sentimos que Srila Prabhupada merecia ter representantes aqui que se dedicassem de todo coração às pessoas, aos povos, à Mãe Terra, aos rios, etc.
Nossa reflexão nestes momentos foi: “É melhor um cara cego a cara nenhum, então vamos nos mover (os caras cegos) porque não há outra”. Esta foi a origem, assim falamos com Maharaj Harijan e começamos a tarefa. Porque assumir o papel de Mestre Espiritual é um grande atrevimento, se tornar representante da conexão com o Infinito, porque realmente somos isso? Não, mas tomara que nos tornemos um bom representante. Sem dúvidas, Srila Prabhupada sim foi e nos deu seu exemplo.
Eu convido a todos vocês a me acompanharem hoje nesta renúncia para Srila Prabhupada proporcionalmente. Há muitas para renunciar, cada um sabe o que tem que renunciar e se não souber, pode aprender na companhia dos devotos.
A primeira renúncia é aceitar os quatro princípios reguladores, o que para nós não é uma renúncia senão que uma liberação. Krishna está nos liberando das coisas que são daninhas.
A renúncia da nossa família é a renúncia das ganâncias pessoais pela ganância de Krishna e Seus devotos. Como para nós todas as almas são devotas em potência, nosso serviço está focado em manter as portas abertas do Ashram a todo mundo. A prova disso é que agora temos uma nova casa no bairro Brasil onde as portas do templo de Sri Radha Govinda estão abertas para todos, para que toda cidade de Santiago possa entrar lá.
O mesmo em La Serena, em Concepción ou onde seja, até no México, ter as portas abertas a serviço que as pessoas possam entrar em contato com o Santo Nome, com o prasada, com a literatura espiritual essencial, com cursos sobre a essência da vida e assim possam participar ativamente na Consciência de Krishna.
Uma pessoa que goste da Consciência de Krishna, mas não participe ativamente dela é exatamente como uma abelha que está fora da jarra de mel, percebe que por ali há algo, mas não pode entrar e eventualmente sai voando a outro lugar, porque não vai se manter muito tempo olhando sem provar o doce néctar.
O serviço que nossos mestres nos enfatizou e presenteou é tão extraordinário que permite nos torarmos Guru. Não devem se esquecer que não há diferença entre diksa e siksa guru.
Quantos de vocês dão conferências sobre a Consciência de Krishna? Todos vocês são um siksa guru. Quem tem dado conselhos espirituais em Consciência de Krishna a uma pessoa? Esse também é o trabalho do siksa guru. Dar e receber. Dadati pratigrihnati.
Intercâmbio amoroso quer dizer fomentar o amor, a confiança, a segurança, o refúgio, a participação de todos. Isso faz um siksa guru. O que dizer dos presidentes de templo que são siksa gurus da manhã até a noite, melhor dizendo, os presidentes dos templos e os sannyasis são mais importantes que nós que visitamos de vez em quando. Sem dúvidas, um precisa do outro, trabalhamos juntos pela mesma causa, não há competição. Por isso o que marca a associação dos devotos é a alegria.
Renunciar significa deixar tudo aquilo que não produza verdadeira alegria, tudo aquilo que não produza êxtase e espiritualidade. Isso é o que há de renunciar. Esse é o exemplo que podemos ver hoje.
Com estas palavras de felicidade me despeço de vocês hoje e peço que todos que possam a fazerem seus esforços para nos reunirmos no Eco Truly Park para o Maha Mela em outubro deste ano e assim podermos seguir celebrando a renúncia do nosso querido Gurudeva Atulananda.
Goura premanandi.
Jay Srila Prabhupada.

Seu sempre bem-querente,

Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 9 de agosto de 2015

Só o amor pode nos salvar




“Quem não pratica amor para com todas as entidades vivas não pode falar de Deus.


Todas as glórias a Srila Prabhupada!
Minha mensagem de hoje começa com o seguinte verso:

vasudeve bhagavati
bhakti-yogah prayojitah
janayaty asu vairagyam
janam ca yad ahaitukam

“Por render serviço à Suprema Personalidade de Deus, Sri Krishna, a pessoa imediatamente adquire conhecimento sem causa e desapego do mundo.” Srimad Bhagatam, 1.2.7

O Bhakti Yoga deve ser executado para a satisfação da Pessoa Suprema, Vasudeva Krishna. Isso gradualmente fará com que a pessoa que o pratique se desapegue das coisas que não têm conexão com Ele e também lhe será entregue o conhecimento puro e o desejo de oferecer tudo o que possui ao Senhor do Amor.
Essa é uma citação incrível do Srimad Bhagatam. Krishna é quem está falando no Bhagavad Gita e é sobre que se fala no Srimad Bhagavatam, para Ele devem ir todas as glorificações.
Não devem pensam que o Srimad Bhagavatam é uma simples ideia esotérica. Não. Hoje em dia existe muito esoterismo, muitas pessoas falam de coisas não visíveis, mas geralmente se referem ao Brahman impessoal ou ao oceano cósmico, mas não a Pessoa Suprema.
Muitas pessoas adoram o aspecto impessoal de Deus para conseguirem algum benefício material, poderes místicos, etc. Krishna é infinito e se manifestará na forma que você desejar se conectar com Ele.
No caso de Draupadi, por exemplo, o Senhor se manifestou na forma de um sari para protegê-la da degradação. Em outra oportunidade, Krishna se apresentou para salvar a Prahlad Maharaj das diferentes tentativas de assassinato por parte de seu pai.
Da mesma forma, Krishna tem nos salvado muitas vezes. Pode ser que tenhamos nos conscientizado, ou não. Mas de toda forma, Krishna está sempre pendente de todas as coisas, Ele faz tudo. Então, minimizar o Srimad Bhagavatam, acreditando que é apenas uma interpretação hinduísta da Verdade, é uma maneira também de ignorar um grande presente.
Unicamente o amor de Deus pode dar a solução às problemáticas da vida. Esse amor é único. Eu me considero um fanático de Krishna, pois quando penso nEle sei que tenho que amar a todos e quero fazê-lo sem descriminar uns mais importantes que os outros – assim como fazem os cristãos que creem que os animais não têm alma – sem descriminar sequer a Mãe Natureza. Melhor ainda, devemos lutar pelos direitos da natureza, pelos direitos dos animais, dos povos ancestrais, lutar pelo futuro da humanidade, porque hoje ninguém se preocupa dos direitos de ninguém, apenas o direito de explorar, decapitar outros, industrializar, etc.
Se não reconhecermos que as outras entidades vivas devem ser respeitadas, pois têm direito a merecer, então tudo o que fizermos estará incorreto, destorcido e errado. O maltrato é considerado a metodologia de conseguir tudo o que deseja de forma inescrupulosa.
Por exemplo, Federico Nietzche disse uma vez que o Manu Samhita foi o primeiro livro cujo encontrou que as mulheres e os pobres tinham direitos. Imagine, 5 mil anos atrás já existia esse conceito, enquanto na Europa nos anos 70 foi dado o direito de voto às mulheres, antes disso só existia um machismo terrível.
A cultura da Índia, em contrapartida, tem uma posição diferente neste sentido, pois sempre mantém o conceito de que somos uma grande família onde os conceitos de homem ou mulher são temporários, só a alma é eterna.
Charles Darwin estabeleceu a ideia errada do princípio da sobrevivência, onde o suposto mais poderoso está sobre o mais débil. Então, os chamados “débeis” não têm nenhuma oportunidade no mundo, nenhum direito. Logo depois houve propostas cada vez mais terríveis, uma dessas foi a de que qualquer indivíduo “defeituoso” deveria ser eliminado, porque as raças inferiores não deveriam se reproduzir.
Esse movimento foi o responsável por milhões de assassinatos de pessoas no mundo. É algo completamente deprimente. Dessa mesma mentalidade provêm os abortos e tantas outras atrocidades.
Por misericórdia recebemos o conhecimento correto sobre tudo isso. Só o amor pode nos salvar. Quem não pratica amor para com todas as entidades vivas não pode falar de Deus.
O Bhagavad Gita e o Srimad Bhagavatam são escrituras clássicas sobre o amor, do respeito com todos. Quando um ser humano se faz vegetariano, 51% do seu problema está resolvido, inclusive os problemas ambientais se solucionam.

Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 2 de agosto de 2015

Tem que renunciar ao mundo antes que ele te renuncie




“Quando alguém me diz que está triste é porque falta um santo em sua vida. Mas os santos estão por aí... Os santos são aqueles que buscam fazer o melhor de si, não é referente a uma pessoa que nunca cometeu um erro.”


Meus queridos devotos e madres, um abraço de Montevidéu.
A meditação desta manhã é a importância dos santos em nossa vida. Quando é humilde, se dá conta da grandeza que são as personalidades que estão ao seu redor. Quando não é humilde, pensa: “Os santos estão aí no altar” ou “Os santos apareceram há 2.000 anos” ou ainda “Eram mais generosos 500 anos atrás”.
A falta de sentir a presença dos santos protetores nos faz triste internamente. Quando alguém me diz que está triste é porque falta um santo em sua vida. Mas os santos estão por aí... Os santos são aqueles que buscam fazer o melhor de si, não é referente a uma pessoa que nunca cometeu um erro. Há um ditado que diz: “Cada pecador tem um futuro e cada santo tem um passado”.
Krishna diz:

api cet su-duracaro
bhajate mam ananya-bhak
sadhur eva as mantavyah
samyag vyavasito hi sah


“Ainda que um santo cometa um erro grave, se continuar servindo deve ser considerado um santo.”


Mãe do céu! Está difícil!
Não, não, não é difícil, é bom, já que o Senhor é generoso com seus servos caídos. Cometemos erros, mas há um erro que é maior que outros erros: o de ver erro onde não há erro e divulgá-lo; este é o departamento da fofocaria, planos mentais. Quem divulga algo que não é certo se responsabiliza por uma ofensa.
Por isso:

vaco vegam manasah krodha-vegam
jihva-vegam udaropastha-vegam
etan vegan yo vishaheta dhirah
sarvam apimam prithivim sa sishyat


“O impulso da fala, da mente e da ira
O impulso da língua, do estômago e do órgão sexual
Estes impulsos devem ser tolerados pelo firme, ou dhirah
E assim poderá no mundo ser mestre espiritual.”


Pregar é nossa atividade principal. Se fecharmos a boca, então como vamos pregar? Mas ao mesmo tempo devemos controlar a língua. Por isso Srila Rupa Goswami nos dá a fórmula da felicidade, ele disse no Upadesamrta. Ele era um santo da consciência de Krishna, ele sabe de todas as dificuldades que vamos passar, e assim como Caitanya Mahaprabhu no Siksastakam, nos salva se dermos importância.
Lembro de outra coisa, estamos no mundo dos territórios. O mundo material se chama “O mundo de Maya”. Maya significa “medir”. Sobretudo queremos medir os lotes, os terrenos: “esta é a medida”, ou a medida: “Eu sou supervisor, você é supervisionado”, qual é a medida entre nós?
Por todo lado há medida, não apenas medida no chão. Há medidas no banco, há medidas nos privilégios: “Quem pode usar o carro do escritório?”, coisas assim. Há privilégios, há medidas em todos lugares e onde há medida há Maya. Então, estamos enfiados no mundo das medidas até a cabeça. O que fazemos? Temos que perder tudo para nos dar conta que as medidas não são o que é.
Quando você compra uma casa, qual é a medida? Primeiramente tem que escriturá-la. Se não estiver escriturada, não é sua. Pois a escritura tem que ser registrada no Cartório, certo? Se não tiver registrado no Cartório outra pessoa ainda pode vender a casa. Quando você não registra, fazem toda uma bagunça. Muitas coisas foram vendidas cinco vezes a cinco pessoas porque foram bobas, porque não registraram. Não nos asseguram quem está registrado no Cartório, porque você apenas pode comprar de alguém que esteja registrado no Cartório, caso contrário, a venda é fictícia.
Eu te vendo a praia de Montevidéu. E como sabe que me pertence? Alguém diz: “Eu gostaria de comprá-la, e pronto”, quando for ao Cartório mandarão a polícia dizendo: “Chegou um louco que diz ser dono da praia de Montevidéu”. Todo engano começou assim. Como se chama isso? Ocupação. Ou também se chama a lei da conquista.
Quem ocupa e registra é o dono. Isso é Maya, isso é a guerra dos territórios e nós fomos treinados desde que nascemos na guerra dos territórios. Inclusive há territórios que são mais sagrados, mais confidenciais, que são os territórios do coração de cada um. Sabe como entrar aí? Esse é outro mundo. Sabe como se chama o mundo? O mundo dos céus. Incrível!
Também os céus fazem medidas. Não pense que medida é só um metro, um pé. Não, não, não, a maya da medida vai por outro lado. A medida é: “Me quer ou não me quer? Me quer ou não me quer?”, a medida é ver se me quer ou não. Um exemplo territorial: Eu uma vez estive na Hungria, e uma madre, ainda minha amiga, me disse: “Você e o swami pregam apenas às meninas jovens e bonitas, a nós não pregam, nos deixam de lado.” Foi a medida, quando fala com A, quando fala com B, quando fala com C., são novos e se não são devotos precisam que seja dedicado mais tempo a explicar. Agora, “Você acredita que eu não te quero porque é mais velha de idade ou porque elas são loiras?”, isso é mundano, isso é uma manifestação territorial do medir.
É claro que todos querem ser importantes e atendidos. Tranquilo, todos somos importantes, porque somos parte de Krishna e todo mundo que é parte de Krishna é importante. Não há ninguém que possa dizer “só ele ou ela é importante”, para Deus todos somos importantes. Por aí a coisa caminha.
Medir é o princípio de toda forma de engano, inveja ou ciúmes. Também medir é outra forma que a autoestima se fere. A educação que recebemos nos fez pensar que aquele que não conquistou terra não tem nada. Mas todos os territórios, todas as medidas, não importam quais sejam, são derrotadas pelo tempo.
Os papéis das notas não servem para nada em 500 anos. Um lugar já teve muitos donos antes, ninguém saberá quem é o dono real de nenhuma casa. Ou melhor, se sabe que ninguém é dono das terras. Inclusive o matrimônio é uma medida. “Bem, vamos ao juiz agora e nos casamos”, o juiz pergunta “Todo dinheiro que ganhem pertencem aos dois?”, e eles dizem “Não, não, não, isso não quero. Quero casar, mas em separação de bens”, isso é outra medida. Está tomando outra medida para saber se a medida favorece.
Todas as medidas são cálculos e todas as medidas são ilusões que vão revelar um fracasso no final. Por isso, uma pessoa devota tomará outra medida, e a medida do devoto é a que ele diz:

        - Tudo é de Krishna. E o que chegar em minhas mãos vou registrar em nome de Krishna, porque eu quero que seja de Krishna.

E registrar algo em nome de Krishna não é fácil. Vá ao cartório e declare:

- Quero doar esta casa ao Senhor Krishna.
- Quem é Krishna? Me dê o número de passaporte. Qual é o seu mandato?
- Ah, não, Ele é Deus.
- Ah! Aqui Deus não registra nada, não é dono de nada.

Vê a loucura das medidas? Não pode dar a Deus algo porque Deus não existe aqui legalmente. Ele não é uruguaiano, sentimos muito.
Atenção: Na Índia você pode registrar legalmente uma propriedade em nome de uma Deidade. E pode ter dois pais: o biológico e o mestre espiritual.
O Guru é um pai legal na Índia. Quando eu firmei meu nome na Índia: Paramadvaiti Swami, filho de Bhaktivedanta Swami Prabhupada. Isso é legal porque é meu guru. Como ele foi meu guru, eu tenho o dever de repetir o que ele ensinou. E se alguém vir a Prabhupada hoje e dizer: “Quero doar uma casa a Prabhupada, a quem dou? Paramadvaiti Maharaj, venha aqui... Você em tantos anos com Prabhupada, quero que você ofereça isto a Prabhupada.” PLIM! Doa a casa. Então, a casa não é minha, mas ao dar a casa a Prabhupada, tenho que garantir que será usada para Prabhupada.
Quando o absoluto e o relativo se encontram há choque, porque tenho que adaptá-los, tenho que aprender como fazer isso. Como combinar o Absoluto com o relativo. O ensinamento puro absoluto é perfeito, mas o relativo também é parte do Absoluto.

om purnam-adah purnam-idam
purnaat puranm-udachyate
purnasya purnam-aadaaya
purnam-eva-avashishyate

Então, harmonizar entre o relativo e o absoluto. Isso fazem os sábios, os santos. E quem são os sábios? Vocês. Vocês são os sábios, e se forem sábios de pouca experiência, tem que ajudá-los. Abrir sua visão, ampliar o horizonte. Assim, é uma escola de se tornar brahmana, uma escola de se tornar santo. Esqueçam os territórios, tudo pertence a Krishna. E todo aparente território está perdido.
Dou mais um exemplo, falando do território matrimonial. Às vezes as pessoas se casam e a esposa pensa: “Você agora é meu esposo, depende de mim, etc.”, ou o esposo pensa o mesmo da esposa e a trata mais ou menos como uma prisioneira. E se a outra pessoa não reage como quer, já começam as brigas. Isso sobre as medidas do matrimônio são totalmente diferentes, na verdade, deve aceitar que Krishna tem que ser posto no centro, Krishna deve ser o critério máximo.
As medidas que você toma em seu matrimônio devem ser guiadas por um santo, não podem ser resultado de como você mede as coisas com sua mente, isso é um risco. Se você quiser saber o que está bem ou mal, tem que perguntar ao mestre espiritual, ele te dirá o que é melhor e ambos no casal dizem: “Gurudeva disse isso, que felicidade que nos deu uma instrução”. Um bom matrimônio é feliz com essa consciência e asseguro que assim nunca haverá um choque entre vocês, pois o Guru é o melhor amigo do casal.
Mas veja, quase sempre todos os matrimônios têm conflitos territoriais. Territoriais financeiros, territoriais de tempo, territoriais do departamento. Entre casados, entre irmãos, o que dizer das pessoas que nem se conhecem.
Quando uma mulher me diz:

- Eu acredito que meu esposo está me enganando.
E eu pergunto:
- É verdade que ele está te enganando? Está segura?
- Sim, estou segura.
- Tem prova?
- Sim, tenho prova.
Então ela pensa que agora que vou me chatear, mas minha resposta é:
- Parabéns.

Por que eu felicito uma pessoa que foi enganada por seu par? Qual razão eu tenho para felicitar? É a seguinte: Este território que você pensava ser seu, acaba de se romper, ele não é seu. E ele não respeita seu coração e é melhor que saiba agora do que se dar conta só quando tiver 88 e perceber que foi enganada toda a vida. É melhor um fim com susto que um susto sem fim.
Então, se uma coisa for fraudulenta, se algo for falso, é melhor que se revele logo. Parabéns. No fim se dá conta que a coisa não anda. Claro que é triste, eu também choro quando me inteiro de histórias assim. Então, territórios, só Krishna sabe quem é quem, todos os territórios são dELe, nós somos estudantes, aprendizes. Krishna nos dá as oportunidades.
Para saber como manejar...
- Aqui tem US$10 mil, o que fará?
Como a história do filho pródigo, o pai lhe dá dinheiro, ele investe e o aumenta. O pai diz:
- Muito bem.
Ao outro filho dá o mesmo, e ele o desperdiça, se intoxica, faz toda a estupidez e desaparece. Onde está? Não sabemos. Mas três anos depois volta ao pai:
- Eu fui o maior estúpido, desperdicei tudo o que me deu.
O pai o toma em seus braços, e o outro filho que investiu bem diz:
- Pai, como o trata assim? Esse daí merece chicote!
- Não, mas este é o meu filho.
Ensinamentos, sabedorias...
Agora quero dar a chave da felicidade na consciência de Krishna. Esta joia é o Upadesamrta, texto 5:
“Devemos honrar mentalmente ao devoto que canta o Santo Nome do Senhor Krishna. Ou qualquer outro nome de Deus. Quem canta os Santos Nomes de Deus tem que ser respeitado.”
Inclusive alguém que cante à Pachamama, a Pachamama não é Deus, mas é o aspecto da misericórdia de Deus. Quem canta à Pachamama, também respeitamos. Se você não respeitar as pessoas que cantam o Santo Nome, de alguma maneira estará semeando a sua própria tristeza.
Depois, deve oferecer humildes reverências – quer dizer com a cabeça no chão – ao devoto que se submeteu à iniciação espiritual diksa e está ocupado em adorar a Deidade. A quem adora a Krishna na manifestação da Deidade: minhas reverências a você.
Não: “Olá, prabhu. Dandavats. Me dá licença na passagem.” Devemos ser muito respeitosos e atentos. As relações devem ser doces no tratamento, de muita convicção e apreço. Não pode adorar a Goura Nitay se não adorar ao Seu devoto. O devoto pode cometer falhas, está no processo, mas o que puder dar é muito mais valioso para ti.
Logo, o verso continua:
“E devemos nos associar e servir fielmente ao devoto puro que está à frente quando ao serviço devocional, executando sem desvios e cujo coração está sempre livre da propensão a criticar aos demais.”
 Aos devotos avançados, devemos servi-los e escutá-los. Aos que perdem tempo falando mal de outros: não perturbem, não tenham tempo para eles. Para que você possa ser feliz na consciência de Krishna, há três chefes:
Um: É o chefe menos avançado que você. Por que ele é seu chefe? Porque é seu dever dar a mão para ele levantar, ele é seu chefe porque ele te diz o que fazer. “Me ajude”, “Sim, sim, vamos. Pegue aqui na minha mão”, essa é a primeira relação, ajudar as pessoas que sejam menos avançadas que você.
Dois: Fazer uma amizade inabalável com as pessoas que também estão na luta como eu. Vamos à realidade: todos estamos aqui na luta. Não é que logo fechamos os olhos e os pés de Krishna se manifestam em nós como uma lótus brilhando. Todos estamos na luta, não há dor nem pena admitir que estamos todos aqui lutando. Mas os que estão na luta pela causa da nossa missão em Montevidéu, os que estão identificados, com eles faça uma amizade bem apegada que ninguém os separe. Super cola. Assim tem que ser com todos que estão na luta.
Para que a amizade possa amadurecer mais e crescer aumentando seu círculo de amigos. Sempre há complicações, é natural, mas como eu sou amigo, busco ajudar quando me pedem. E quando não me pedem, talvez eu não possa fazer nada. Mas se eu vejo a um devoto avançado que está servindo ao meu guru seriamente, neste caso eu devo oferecer minha plena colaboração. Não apenas: “Eu gosto de você, reverências, Haribol”, mas “O que precisa? O que faço?”, chega na festa de domingo “Trouxe uma preparação. Divulgo convites? Eu posso fazer o anúncio, o que você quiser”.
A todo mundo tem que dar tempo, a todo mundo tem que dar consideração. Isso é Consciência de Krishna. Todos os problemas na vida espiritual têm solução. Não existe situação que não haja solução. Porque a medida do Senhor Krishna é de nos resgatar da ilusão, por isso Prabhupada veio ao mundo, por isso o temos no altar, por isso temos Gurupurnima, para celebrar.
Esperamos que Gurupurnima traga muita luz, clareza e muita alegria para todos. Porque vamos seguir lutando assim como é. Porque eu também venho lutar pelo Uruguai e por seus devotos, aos santos mensageiros que seguirão em frente, porque repito: Estamos acabando de começar.
Vocês não sabem que alegria me dá ver aos devotos felizes no templo. Por exemplo, aqui, na vez passada, faz um ano, éramos como cinco ou quatro recém fazendo a primeira equipe. Então me dá muita alegria ao ver o progresso, e por favor: União faz a força. Solidariedade e amor.
E poder nos sentir felizes, porque não há território, porque todos os territórios pertencem a Krishna. Reconheçam: Quem não reclama de território não tem problemas territoriais. Por isso os renunciantes, brahmacaris, vishnupriyas, sannyasis são tão felizes, porque não têm nada. Há grihastas renunciantes também.
Quando se tem coisas, tem sua independência, faz sua própria economia, busca lutar sozinho. Mas naturalmente disso temos um pouquinho cuidando dos espaços conseguidos. Mesmo que tudo seja ilusão, porque no momento da morte não leva nem sua kanti mala, enquanto isso se trai de tanto calcular quais são suas coisas neste mundo.
Todo território é de Krishna, essa é a sabedoria, tem que aprender aos bons modos: “Tem que renunciar ao mundo antes que ele te renuncie”. Outro ditado: “Tudo o que não der é o que perderá”.
Veja que sabedoria é a que tinha Rupa Goswami ao escrever isso anos atrás. O Senhor Caitanya também disse coisas, uma das mais importantes: Trinad api sunicena. Sem trinad api sunicena não pode viver em um templo, sem humildade não se apaixona pelos devotos.
Jay Sri Krishna, Jay Sri Krishna!
Sri Caitanya Mahaprabhu!
Srila Prabhupada ki jay!

Com afeto.
Seu sempre bem-querente,

Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 19 de julho de 2015

Nossa posição constitucional é a de ser um servo





“Honestamente, é um serviço muito grande o de entregar Krishna-bhakti a todo mundo, sempre dar o exemplo com a própria conduta, isso é muito difícil, acordar todos os dias pensando em representar o mestre espiritual, cantar o gayatri mantra, cantar as rondas e logo mãos à obra, a fazer serviço, e assim, uma vida inteira.”



Meus queridos devotos, recebam todo meu afeto de Vrinda Bhumi. Hoje quero falar um pouco sobre a liberação, da verdadeira liberação.
O que significa a verdadeira liberação? Quer dizer abandonar todas as diferentes formas de vida, como os bhutas ou outros corpos sutis e se situar no svarupa de si próprio.
A verdadeira liberação consiste em encontrar a posição pessoal em relação a Krishna, o svarupa siddhi. Siddhasvarupananda, a fora divina, o corpo espiritual. Somente as pessoas que tiveram revelações confidenciais conhecem seu siddhasvarupa, isso não é sobre algo público para fazer publicidade, ou melhor, é algo muito confidencial.
Uma vez eu perguntei a Srila Guru Maharaj (Srila B. R. Sridhar Goswami Maharaj) sobre os temas relacionados com livros confidenciais, como o Gita Govinda. Ele me respondeu: “Sannyasis ordinários não devem ler isso”, essa foi sua resposta. Então ele disse: “Sannyasis ordinários”.
É uma grande misericórdia passar pela etapa de sannyasi durante a vida, mas isso não assegura que esteja capacitado para conhecer sua svarupa siddhi. Se não estiver rendido, então não entenderá nada.
Existem duas formas de apreciação do próprio svarupa. A primeira é geral e se trata da própria apreciação como nitya Krishna dasa, como dasa anudasa, o servente do servente do servente do servente... do servente do servente de Krishna, o mantenedor das gopis que são Suas eternas associadas.
Então, internamente falando, meu próprio serviço tem alguma conexão com Sri Krishna e as gopis, mas como eu sou o servo do servo do servo, estou seguro no serviço ao meu guru, assim, estou protegido. Dessa forma, nitya Krishna dasa é minha posição constitucional, minha svarupa como servo.
Krishna revelará meu serviço e minha própria forma espiritual svarupa quando Ele desejar. Quantas vidas demorarão para isso? Só Ele sabe. Eu posso chorar e orar por isso, mas é Ele quem vai responder, Sri Radha Govinda têm todos os direitos reservados neste mundo, ninguém mais.
Na Índia podemos ver alguns “imitadores”, se você se encontrar com eles e disser que gosta de bhakti yoga, eles dirão que podem revelar sua svarupa. Assim, muitas pessoas acreditam que seja muito fácil conseguir sua svarupa, que seja questão de apenas ir à Índia e pronto, mas isso não é um processo autorizado.
Srila Prabhupada disse que a “imitação” não nos ajudaria no avanço espiritual, ele disse que uma pessoa pode desejar ter filhos, mas se você não tiver uma semente fecundada no ventre de sua esposa, nenhum filho nascerá. A mulher pode imitar que esteja grávida, mas não virá nenhum filho se a semente não foi plantada. Da mesma forma, se a revelação não foi colocada em você, então não pode pretender conhecer sua svarupa ou revelar aos demais. Isto é apenas uma advertência.
Sem dúvidas que a svarupa exista, pois no mundo espiritual você terá um corpo espiritual auspicioso, mas ainda não estamos qualificados para isso. Possivelmente precisaremos muitas vidas praticando bhakti yoga para ter qualificações que nos permitam chegar ao mundo espiritual e assumir esse corpo naquele ambiente.
Srila Prabhupada disse que tudo é possível, inclusive nesta própria vida pode ser manifestado isso se você quiser, mas para isso terá que fazer uma escolha muito importante: de se desapegar das coisas materiais.
Svarupa então quer dizer ser servo de Krishna, se eu aceitar isso então de agora em diante tenho que me dedicar a fazer serviço. E para isso deve ter uma conversa importante com seu siksa-guru ou diksa-guru sobre o serviço que deve fazer.
Há devotos que nunca falam sobre serviço, apenas comem prasada. Sem dúvida a vida espiritual é sobre inquirir o que se deve fazer. Independente do serviço que seja, posso estudar, cozinhar, cuidar das crianças... Há muitos serviços. Seguramente o Guru te engajará em um serviço para apoiar sua missão, manter um templo, se tornar um pujari, organizar conferências espirituais, serviços múltiplos.
Existem muitos serviços e o Guru sabe qual é bom para cada um. A pessoa tem apenas que saber o que está buscando e o que fazer. Esta relação com o guru é muito importante. Às vezes no meu serviço tenho que escutar dos casos mais variados de dificuldades e brigas, mas mais importante que isso é o serviço que vou oferecer. Por isso, a relação com o Guru nunca acaba, pois sempre há novos projetos e áreas de serviço para oferecer. Quando alguém termina um serviço, logo revisa os detalhes do próximo serviço.
Isso é parte do svarupa, porque nossa posição constitucional é a de ser um servo. Vou me dedicar a desenvolver o serviço que entregarem, pode ser de terminar um livro, editá-lo, corrigi-lo, etc. Sempre com criatividade e responsabilidade.
Não espere que as pessoas corram atrás de você para te pedir um serviço, isso existe na fase principiante onde o representante do mestre espiritual tem que estar sempre por trás para pedir que termine o serviço. Claro que esta posição é um pouco cansativa para o líder, mas também é muito misericordiosa ao mesmo tempo, senão no fim o templo estará cheio apenas de pessoas que servem a si próprias, isso é Maya. É então onde o líder e o comandante se tornam muito misericordiosos e dizem aos demais: “Venha aqui, por favor, precisamos da sua ajuda”.
Svarupa não significa preguiça, o svarupa não é preguiçoso. Por isso, este tema é muito importante na execução do serviço na vida espiritual. Svarupa quer dizer serviço, ter claro qual é o serviço que você faz.
Alguns serviços duram por muito tempo, o meu, por exemplo, tem durado muito. A primeira frase que Srila Prabhupada me disse foi: “Dedique sua vida a entregar às pessoas o que aprendeu de mim.” Eu fiquei chocado, com uma só frase Srila Prabhupada estava me dando serviço para toda a vida. E eu aceitei assim, mesmo que não estivesse qualificado para isso.
Honestamente, é um serviço muito grande o de entregar Krishna-bhakti a todo mundo, sempre dar o exemplo com a própria conduta, isso é muito difícil, acordar todos os dias pensando em representar o mestre espiritual, cantar o gayatri mantra, cantar as rondas e logo mãos à obra, a fazer serviço, e assim, uma vida inteira. Um mês é fácil, mas uma vida? E os desejos pessoais? É difícil.
Sem dúvida, eu aceitei este serviço e me senti muito feliz que meu Guru me dera tanto serviço, nem sequer tinha ideia do que se tratava isso, pois para mim tanto viver em Vrinda Bhumi como fazer serviço em Paris dá no mesmo, o tema é fazer com prazer. A perfeição do serviço é apenas fazer serviço com a intenção de servir a Krishna.
Há muitas variantes de serviço também, segundo os desejos e interesses pessoais, pode ser nas fazendas ou nas cidades. Por exemplo, Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakur Prabhupada queria permanecer em Mayapur, mas foi a Calcutá, pois ali havia muitas pessoas esperando pela misericórdia de um vaishnava. Assim, tem que orar pelo serviço.
Vrinda Bhumi ki jay! Srila Prabhupada ki jay!

Seu sempre bem-querente,
Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 12 de julho de 2015

Amor é vida, amor é como o ar vital




“O interior de cada alma, de cada ser, em qualquer lugar o amor existe como algo onipotente, que a necessidade de amor é algo onipresente e que por esse amor devemos renunciar a vontade de controlar o mundo inteiro.”



Meus queridos devotos, aceitem todo meu carinho de São Paulo.
O princípio divino de “falhar” chega a nossas mentes com grande frequência durante a vida. Algumas vezes inclusive fica estagnado, até poderíamos dizer que continuamente nos ocorre. O amor é uma necessidade, o amor produz sede, mais intensa que a própria sede. Amor é vida, amor é como o ar vital.
Se o seu amor pelo ar for muito, tanto como seu amor por amar, então poderá identificar facilmente qual é o caminho que deve seguir. Assim como alguém que tenta nos estrangular, começamos a rogar: “Ar, ar, me deixe respirar ou vou morrer!”. Então, se comparar o ar com o amor, qual dirá que é mais importante?
Vida após vida recebemos ar, toda vez, mas o amor é aquilo que realmente estamos buscando. Arduamente damos alguma atenção ao ar, só até perdê-lo e se torna um objeto adorável. Mas amor é a soma e substância de cada jiva, é o objetivo da busca de cada alma.
As escrituras enfatizam isso toda vez: “A luxúria é o oposto do amor, não tente igualá-los ou terá uma ideia errada do assunto.” O Caitanya Caritamrta, o Bhagavad Gita e o Srimad Bhagavatam tratam deste assunto.

anyabhilasita - sunyam
jnana - karmady - anavrtam
anukulyena krsnanu
silanam bhaktir  uttama
(C.C. Madhya. 19.167)

Tradução: Quando estiver livre de todo anseio de coberturas tais como karma, jñana e for favorável atender a Krishna em seus desejos, praticará o mais alto bhakti ou “bhakti-uttama sa vai pumsam paro dharmo yato bhaktir adhoksaje ahaituky apratihata yayatma suprasidati.” (S. B. 1.2.6)
De certo, existe uma atividade suprema: O serviço amoroso ao ser transcendente, feito sem interesse, sem nenhuma reserva dá à alma uma grande satisfação. Muitos slokas se referem às qualidades do amor como algo exclusivo, algo que requer esforço, algo pelo qual é entregue tudo o que se tem. E o que temos de entregar? Devemos entregar nosso ego, nossos planos egoístas. Algo muito difícil, muito difícil.
Há uma história no Mahabharata sobre uma família que estava em perigo. Esse perigo poderia ser resolvido se uma pessoa se sacrificasse pelo bem dos demais, sendo que todos os membros da família queriam se sacrificar devido ao amor que sentiam pelos outros.
E o que significa “sacrificar o mundo inteiro”? Quer dizer abandonar seus desejos de desfrutar e controlar o mundo. Assim, começamos a ansiar por ver um mundo onde Deus está no centro, um mundo conectado com sua causa original.
A causa original do mundo também é o amor. Devemos entender que o princípio do amor é uma verdade cósmica incontestável, prema tattwa. Isso quer dizer que o interior de cada alma, de cada ser, em qualquer lugar o amor existe como algo onipotente, que a necessidade de amor é algo onipresente e que por esse amor devemos renunciar a vontade de controlar o mundo inteiro. É conhecido como autorrealização, é algo realmente incrível, não?
Você acredita que pode obter uma dose de “amor” de algum dos catálogos que tem? A resposta é não. O amor está mais além de qualquer cálculo, inclusive os reflexos pervertidos do amor transcendental estão muito além dos cálculos. Você não pode dizer a outra pessoa que a paga para te amar.
As pessoas hoje em dia têm o conceito errôneo de que o outro o ama simplesmente porque pagam para que tenham sexo com ela. Você não pode dizer a outra pessoa lhe paga para que te ame. Isso é uma fraude.
Você não é capaz de comprar o amor de um cachorro. Bom, dizem que quando se dá de comer a um cachorro e ele mexe o rabo de felicidade está dizendo que te ama, mas de certo é que o cachorro ama sua comida, não você.
Quero que reflitam nestas palavras sobre a natureza do amor e espero que nos próximos chats possamos continuar desenvolvendo este tema tão importante.
Envio todo meu afeto e espero que tenham uma linda semana de pregação.
Jay Srila Prabhupada!

Seu sempre bem-querente,

Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 5 de julho de 2015

É importante reconhecer que neste mundo material tudo é passageiro apenas para nos treinar




 “Deve-se ter um sabor superior mesmo que tenha desejos pelas coisas materiais, renunciar e ocupar-se em algo espiritual, isso é o desenvolver de um gosto superior.”



Meus queridos devotos, um grande abraço de Miami Mandir.
Hoje estamos celebrando o sentido da nossa verdadeira independência já que nossa independência é tanto nosso problema como nossa solução. Temos que nos independer de nossos apegos materiais, de tudo que nos apega à luxúria. Quando nos apegamos a Krishna e nos esforçamos para fazê-Lo feliz, isso é prema. Então tem que descobrir como safar-se de um apego e apegar-se a outro.
Essa é a história do nosso apego material, enquanto ele existir, o bhakti não será manifestado totalmente. Por isso precisamos do sadhu sanga que é algo muito escasso nesse mundo. É algo muito além do que podemos entender racionalmente e manifesta-se como Gurukripa. Quando tem-se fé no mestre espiritual, a realização das escrituras manifesta-se.
A associação com um devoto é a essência dessa transição, é algo que surge, floresce. Minha teoria é que graças a Srila Prabhupada ter injetado sementes do bhakti com sua grande potência, a fé florescerá inclusive em pessoas que ainda não nasceram. Então, nós como seguidores de Srila Prabhupada estamos observando o nascimento do bhakti em lugares muito importantes onde esta fé está sendo manifestada.
Por exemplo, em minha visita a Cuba recente vi muitas pessoas com fé em Srila Prabhupada para servirem. Temos sido testemunhas de como esta semente do bhakti realmente flui e como manifesta-se o desejo de servir a Krishna. Então pode-se realmente entender que há uma semente do bhakti quando no coração das pessoas surge um forte desejo de servir a Krishna.
Assim, para mim foi muito gratificante a experiência de ir a uma ilha onde apenas o prabhu Esvara Desavaha havia ido, os demais só haviam escutado. O movimento de Swami Yoganandana foi a única coisa que chegou, e logo pela evolução do teísmo criou-se uma atmosfera muito linda de querer servir a Krishna.
Para mim foi realmente inesquecível estar nesse lugar observando as sementes que Srila Prabhupada havia regado ali. Tanta alegria, tanto desejo, devoção de que realmente podia-se conceber que havia um grande futuro, como em todas as situações onde Srila Prabhupada está.
Também em um caso particular nessa visita a Cuba, obviamente continuando o trabalho pioneiro de Srila Prabhupada, porque ele não aceitava nenhum lugar onde Krishna não pudesse chegar, ele sempre levava seus discípulos ao Paquistão, Arábia Saudita, Beirute, Marrocos, Irlanda do Norte em plena guerra, lugares totalmente difíceis, ele sempre estava pendente de mandar pessoas para que seguissem semeando sementes do bhakti.
Quando viaja-se pelos brahmandas para cima e para baixo e passa-se pelas diferentes circunstâncias desse mundo material, logo chega um momento cujo diz: “Já chega, não mais”. Mesmo que Maya seja sedutora, já não a quer, compreende e diz “já chega” e assim começa a levar a vida espiritual a sério.
Enquanto estiver intoxicado no mundo material com as coisas materiais, como a fama, a erudição e a beleza, não poderá levar a sério o chamado de Krishna e não escutará o chamado interno de Krishna, e Maya dará mais.
Maya é assim, quando está abatido, não dá nada, mas quando quer sair, dá tudo. É fácil renunciar, porque não tem nada, por isso dizemos: “É melhor você renunciar ao mundo antes do mundo renunciar você.”.
Renunciar quer dizer separação, não há desculpa, não há exceção. Aquele carrinho lindo que comprou há três dias, agora tchau, carro, casa, filhos. Sobretudo quando nasce uma criança, está liberando o pai. É algo espetacular até crescerem. Crescem e vão.
Claro que alguns pais hoje em dia dizem: “Melhor que vá”. Às vezes vão mal, desaparecem ignorando seu pai, sua mãe. Então é importante realizar que neste mundo material tudo é passageiro apenas para nos treinar.

Visaya vinivartante
Niraharasya dehinah
Rasa-varjam raso ‘py asya
Param drstva nirvatate

Deve-se ter um sabor superior mesmo que tenha desejos pelas coisas materiais, renunciar e ocupar-se em algo espiritual, isso é o desenvolver de um gosto superior.
Se aceitar tudo o que for oferecido para a gratificação, então nunca surgirá o desejo superior. Há muitas advertências nas escrituras, são realmente as que sempre vêm a nos recordar da essência: “Deixe a ilusão, deixe a fantasmagoria”.
Isso sim, em Cuba há muita bruxaria. São negócios lá. Não fala-se nada de amar a Deus, apenas fala-se de pedir a Deus, “força para superar problemas”, superar coisa ou outra em cerimônias tamásicas. Krishna diz: “Quem adora aos fantasmas, na próxima vida volta fantasma”.
Se perguntar a um líder barvabalao se ama a Deus, ele dirá: “Não, não está incluso no programa”. A verdade é que nem sequer está incluso em seu vocabulário, é triste porque são pessoas que apenas querem negociar com Deus.
Na Índia acontece o mesmo com o karma kanda, “devo negociar ali para que me deem bênçãos”. E as floridas palavras dos Vedas entusiasmam isso, “se quiser saúde, riqueza, bela esposa, adore tal”, mas no Bhagavad Gita diz que apenas os bobos adoram aos semideuses, e isso fica como um labirinto cujo é muito difícil encontrar o caminho puro a Deus. Não é fácil, se quiser negócio de Deus, ofereça-Lhe negócio.
O mundo material ensina com aspectos muito fortes, como o desapego, a separação e eu creio que hoje em dia as pessoas são mais sofridas e mais abatidas que nunca, porque a família acabou.
No fim das contas, a famílias era a coisa mais linda: esposa(o), filhos que crescem, netos, toda essa beleza que trabalha junto por uma causa, é muito lindo ter harmonia entre pai, mãe, avós, mesmo que hoje quase não exista.
O homem moderno mal cumprimenta, as mulheres sentem-se maltratadas. Ao não considerarem que é melhor as crianças não verem briga e não sofram vendo, então o homem moderno perdeu o matrimônio. É a maior perda e desculpa para pensar: “Oh, agora posso ter sexo com várias ou mudar de parceira”. Nesse sentido, até na declaração de matrimônio é dito: “Hoje em dia ela é minha companheira temporária de viagem”.
Não é raro apaixonar-se demais por uma mulher ou um homem, porque há muitas pessoas simpáticas, assim pensamos: “Por que não poderia ter relação com outros parceiros?”. O fato é que deve decidir por um parceiro se quiser ter lindos filhos e vê-los crescerem ao lado dos pais em uma atmosfera de amor, disciplina e união.
Sem a base da família, nossos filhos não têm muita esperança em formar um caráter de fé em uma autoridade, e por isso nunca estamos seguros, sempre nos sentimos desamparados.
O homem moderno é o mais renunciado de todos, porque perdeu a família. E o que fica então? Sexo, diversão, comprar uma casa e logo brigar com o parceiro para dividirem: “Como nos dividimos, o carro ou as crianças?”.
As crianças são as que pagam o drama, como os homens não são muito inteligentes, as crianças falam mal, falam mal da mãe porque não tem mais pai. Mesmo na Consciência de Krishna é dito: “Desapegue do parceiro e da família”, mas não mal interpretem isso, porque o desapego é para quando as crianças já estão grandes.
Alguns tolos o tomaram como justificativa. Temos que nos desapegar e nesse sentido nós vemos que o mundo não anda bem, e logo que a família estiver perdida, vem a droga, a degradação, a decepção quando não entendem que o mais lindo é ser membro de uma família espiritual.
É algo muito especial servir a um ishtadev que significa fazer templos, fazendas, festivais. Sobre uma adoração apropriada cresce nossa vida, porque o mundo material não tem nada equivalente nem especial, porque no mundo material apenas há grupos sociais, um partido político, mas isso não substitui a vida espiritual.
A deidade nos vincula com o mais importante da nossa vida, que é o Senhor Supremo, o único que pode nos levar a diante e a dimensões superiores. “Abandone todos os demais conceitos religiosos sociais fruitivos baseados em interesses sociais e refugia-se em minha instrução”, disse o Senhor. Toda a estrutura do mundo, as diferentes instituições que podemos considerar são todas secundárias ao lado da importância de Krishna em nossa vida.
Não é suficiente ser um bom pai, tem que fazer muitas coisas e refugiar-se totalmente em Krishna, apegar-se aos devotos. Isso soa bonito. No Bhakti Yoga há muitas etapas de confidencialidade, mas se não tiver uma família espiritual, não saberá onde praticar.
Praticando sozinho perde-se, fica oco, por isso a importância da associação. É como um pai que não pode dizer nem sequer por um momento: “Eu não sou pai”. É uma traição, em um compromisso de um sannyasi, de um brahmana, de um presidente de templo é igual, é uma consagração importante e por isso os devotos em grupo mantêm os templos.
Graças a isso queremos fazer um ashram em Cuba. O primeiro ashram chama-se Vrinda Kunja. É uma casa muito humilde, para seis devotos, quem lidera é o prabhu Radhanath, um yogi maduro de muitos anos, já tem netos, mas um espírito jovem. O lugar é pequeno, mas o grupo de devotos de Cuba são bons potenciais e maduros.
Foram poucos dias lá, fizemos uma grande puja em um cinema conhecido e importante na cidade, e também tivemos conferências no Charles Chaplin em pleno centro onde nos deram um espaço muito bonito. Então conhecemos também um grupo que chama “Om Meditación” cujo líder apreciava muito a Srila Prabhupada e com eles também fizemos contatos muito lindos.
Sinto-me muito positivo e creio que o Senhor Caitanya tem que me levar a todos os lugares e já está semeando o início, então, se alguém de vocês for a Cuba, permita-se treinar aqui sobre como ajudar lá.
Em Cuba dizem que não pode-se fazer nada sem fé, ou melhor, a Oida Terapia na Cuba está bem famosa. E sabem o que significa FE? Família no Exterior. J Então, nós também somos os amigos e familiares vaishnavas no exterior. Acredito que com um pouco de ajuda para lá, as coisas podem caminhar. Sendo assim, são bem-vindos a participarem no apoio a Cuba.
Miami é meio Cuba, alguns devotos mais velhos podem organizar uma visita para lá segundo as possibilidades. Já organizaremos na minha próxima volta, pois temos agora pouco tempo em Miami, apenas umas horas que encurtaram por essa odisseia técnica que atrasou muito meu voo em várias horas.
Então, muito obrigado. A independência que celebramos aqui hoje significa nos independermos de Maya e nos fazermos dependentes de Krishna. Essa é a verdadeira independência. Para ter novamente a independência para assumir responsabilidades para Ele e assim não podemos pensar por nós mesmos fora da ideia vaishnava, que é muito capaz de ser independente.
Nesse sentido, estamos todos sendo treinados para sermos independentes e capazes de resolver qualquer serviço, mas no coração devemos ser dependentes da essência da unidade do infinito.
Queria saudá-los um pouco. Obrigado por me esperarem tanto tempo.
Srila Prabhupada ki jay.

Seu sempre bem-querente,

Swami B. A. Paramadvaiti.