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domingo, 8 de junho de 2014

Sementes de Prabhupada




“Se você amar uma pessoa, ama suas ações, seus ideais, seu pensar, pode até morrer por eles. Neste caso, amor é sacrifício, morrer para viver, dar tudo o que ama, dar o melhor de ti. Srila Prabhupada foi um exemplo e ele apaixonou a todos nós com cada passo que dava.”


            Queridos devotos, uma grande saudação de coração de Nova Nilacal Mandir, um centro espiritual lindíssimo da família Vrinda. Todos têm que vir a conhecer esta fazenda.
            Estes dias foram muito lindos visitando a tantos devotos. Krishna tem muitos planos na Venezuela e eu fico muito feliz em ver os projetos dos devotos. Eu gostaria de viajar por cada yatra assim, de povo em povo pregando, promovendo os materiais do SEVA, fazendo amigos e distribuindo prasadam. Todos querem te convidar, levar às suas casas e viajar acompanhado com o grupo que tenho é realmente lindo. Sinto-me muito afortunado por ter esta misericórdia e feliz que logo este serviço tocará a vocês, porque é disso que se trata, em outras palavras, sementes foram deixadas e agora vejo os frutos.
Tudo o que vejo é o resultado da presença de um devoto puro. Sua presença foi real, seu amor pelas pessoas e seu desejo de que os venezuelanos tivessem a oportunidade de se apaixonarem por Krishna. Mas sua presença em cálculos temporais não foi curta, à vista externa apenas esteve alguns dias, mas os projetos atuais na Venezuela nos confirma que sua presença atual é real, seu amor é vigente e devemos continuar com o seu desejo.
Se você amar uma pessoa, ama suas ações, seus ideais, seu pensar, pode até morrer por eles. Neste caso, amor é sacrifício, morrer para viver, dar tudo o que ama, dar o melhor de ti. Srila Prabhupada foi um exemplo e ele apaixonou a todos nós com cada passo que dava. Que feliz me sinto em saber que os pés de lótus do meu mestre espiritual pisaram neste lugar e que eu tenho a oportunidade de servi-lo aqui. Meu amor esteve aqui. Isso faz deste lugar algo sagrado em minhas convicções, um tirtha, um lugar de peregrinação.
Adoramos a consciência que deixou Srila Prabhupada aqui. Onde a deixou? Em seus devotos, e por isso eu digo: Agora depende dos devotos, de vocês, para continuarem a fazer coisas lindas a Srila Prabhupada. Às vezes um devoto quer fazer de uma forma, outros de outra forma e isso aparentemente traz conflitos. Um diz: “Gurudeva, quero isto”, o outro diz: “Gurudeva, quero isto outro também.” Os dois querem servir igualmente. Muitas vezes me encontrei em situações assim.
Srila Prabhupada animava a todos os devotos e quando aos líderes faltasse área de serviço, os animava a abrirem uma nova área de serviço. Há muito espaço para desenvolver projetos espirituais, há muitos lugares que ainda não conhecem a Krishna. Aqui na Venezuela, por exemplo, conheci lugares muito lindos, e na Colômbia, no Equador, no Peru e em tantos lugares. Não temos problemas de que tenhamos muitos líderes, ao contrário, temos o problema que nos faltam mais líderes.
Chatear-se porque em um lugar há um líder e você quer liderar não tem sentido. Há mil lugares para liderar. No Mela de Arica há muitos anos analisamos isto e chegamos a várias conclusões. Uma das mais importantes é que um líder deve ter sua área de serviço onde responda e proteja que haja um bom nível de sadhana e formação espiritual de novos devotos.
Outro aspecto importante que observei nesta reunião foi que para mim todo devoto de no máximo 2 ou 4 anos de contínua prática espiritual tem todo acesso à cúpula de máxima responsabilidade na minha missão. Minha escola é uma escola de líderes, meu serviço principal, ou o curso que dou, é a formação de mestres espirituais, eu não espero menos que isso de cada um de vocês, isso é o que Srila Prabhupada queria de nós, um líder é um protetor de uma comunidade.
Na Índia há um ditado que diz: “Muitos sannyasis prejudicam o sacrifício”, é um ditado. Eu não sei porque os Vedas disseram isso... (risos) Mas por que isso? Porque não se pode ter 5 mahantas. O mahanta é o líder de um grupo. Os devotos mais velhos podem dividir os trabalhos por áreas, isso é questão de maturidade. As pessoas querem ver ao mahanta, querem ver ao líder, isso é algo natural no ser humano. Às vezes os devotos dizem às pessoas sobre mim: “Esse é o líder maior”, as pessoas dizem: “Uhhh, ele é o líder”. As pessoas querem saber quem é o líder do projeto, então alguém tem que assumir o papel de mahanta.
Em alguns programas muito grandes se pode dizer que há co-presidentes, muitos devotos encarregados de departamentos, tudo isso é possível, mas mahanta é muito importante, o líder projetor do grupo. E cada devoto deve trabalhar inspirado neste mahanta e onde se sentir bem, isso é necessário, tudo sempre em amor e confiança. Também é possível que vários líderes trabalhem unidos, isso é muito lindo, assim como trabalho com Gurudeva Atulananda e antes com Srila Harijan Maharaj. Vocês podem ver que sim é possível trabalhar unidos compartilhando o que Krishna nos dá, e eu trabalho em muitos projetos com muitos irmãos espirituais, como Askalita prabhu, Mrganath prabhu.
Isso é outra joia da família Vrinda, este amor que nos mantém unidos, um gosto por compartilhar responsabilidade com outros. Eu ao lado de tantos líderes do Vrinda sinto que sou servo deles, eu os visito para ajudá-los e para ver os frutos do que Srila Prabhupada plantou em seus corações. Srila Sridhar Maharaj nos ensinou isto com seu exemplo, ele era nosso maior líder e dizia: “Eu sou seu servo, eu dependo de vocês.” Claro, podemos dizer isto externamente, mas isso se demonstrou e confirmou no carinho pessoal contínuo incondicional que dava a cada um que chegava a ele.
Quando eu me refiro a líder, não só penso nos sannyasis senão em todos os líderes de projetos. Srila Prabhupada pôs a meta aos sannyasis, ele disse: “O serviço principal de um sannyasi é entusiasmar, entuasiasmar e entusiasmar. Às vezes é necessário corrigir.” Não é tão fácil corrigir, mas às vezes é tão urgente que temos que fazer algo e se fizermos, seguramente será criticado, mas tem que fazer algo. Por exemplo, tem que proteger o sadhana. Alguém que proteja o sadhana é um mahanta e seu amor pela Deidade se confirma diariamente. É claro que muitas vezes há eventos grandes que acabam tarde e assim é difícil o programa no dia seguinte, mas um mahanta deve entusiasmar a todos e não falhar. Eu desejo isso em todos os templos que Krishna nos deu. Na verdade, Krishna deu a vocês, pois a mim deu a oportunidade de visitá-los e servi-los.
Com estas palavras me despeço do chat de hoje. Obrigado, Srila Prabhupada, por todos os presentes. Obrigado, meu Senhor, por esta oportunidade de servi-Lo.
Srila Prabhupada ki jay!

Seu sempre bem-querente,

Swami B. A. Paramadvaiti.

domingo, 1 de junho de 2014

Somos de Srimati Radharani





“Não somos este corpo, somos almas espirituais
Não pode ser nosso ‘eu’ este corpo de carne e sangue
Somos algo muito elevado, somos pura consciência
Mas nos esquecemos por pura negligência.”


          Queridos devotos, recebam meu afeto da Venezuela. Quero começar esta mensagem com uma frase muito boa que deveríamos nos lembrar todos os dias:

“Não somos este corpo, somos almas espirituais
Não pode ser nosso ‘eu’ este corpo de carne e sangue
Somos algo muito elevado, somos pura consciência
Mas nos esquecemos por pura negligência.”

Há um verso do Srimad Bhagavatam que lembramos estes dias que diz:

sa va ayam sakhy anugita-sat-katho
vadesu guhyesu ca guhya-vadibhih
ya eka iso jagad-atma-lilaya
srjaty avaty atti na tatra sajjate

A tradução de Srila Prabhupada é assim:
“Ó queridas amigas! Está aqui a própria personalidade de Deus cujos atrativos e íntimos passatempos descrevem Seus grandes devotos nas partes confidenciais da literatura védica. É Ele unicamente quem cria, mantém e aniquila o mundo material, e ainda assim permanece inalterado.”

Neste sloka Krishna deixa bem claro o que é e o que não é. Às vezes não queremos saber a verdade, preferimos que as coisas se mantenham na incerteza. Por quê? Porque estamos em maya, mas se quisermos ter algo claro, Krishna vai nos mandar as coisas claras.
O Srimad Bhagavatam é a revelação mais confidencial do Vedanta, o mais confidencial sobre Sri Krishna. Imagine, um livro que fala sobre como se sente Deus, quem são Seus mais queridos, quais são Suas preferências, como Ele é igual para com todos, melhor, uma imagem e uma apresentação de Deus totalmente ampla que nos permite conhecer profundamente a Sri Krishna em Suas diferentes formas: como mantenedor, como criador, além de tantas facetas de Suas maravilhosas manifestações incríveis.
Graças ao Srimad Bhagavatam podemos conhecer o amor de Srimati Radharani e o anseio dela por distribuir esse amor ao mundo inteiro, porque ela é quem mais ama a Krishna e quer que esse amor se distribua a todos. Por isso aparece Sri Caitanya Mahaprabhu, para entregar Krishna-prema a todas as almas.
Este movimento na América do Sul e em todo o mundo é algo inédito e incrível que vem do arranjo divino de Srimati Radharani. É graças a sua influência que agora nós temos a chance de estar junto aos devotos e de poder nos esforçar ainda mais para divulgar todas as mensagens do Srimad Bhagavatam no mundo todo. Pesaram no grande esforço que significa alguém ter traduzido todas as mensagens do Srimad Bhagavatam ao nosso idioma e que podemos estudar todas as manhãs? Isso é algo impressionante. Foi uma boa vontade de maravilhosos devotos encabeçados por Srila Prabhupada que queriam que todos se tornassem conscientes de Krishna. E por trás do lindo serviço de Srila Prabhupada está Srimati Radharani. Nós somos da equipe de Srimati Radharani, não somos da equipe de Krishna.
À respeito, lhes conto uma história:
Havia uma vez um rei que também era um grande devoto que fez um dandavat parikrama em Radha Kunda, isso quer dizer se prostrar ao redor do Radha Kunda fazendo dandavat até completar a volta. Então, alguém comentou a Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakur que o rei estava fazendo isso, ele disse que não era a nossa linha. Há devotos que buscam ganhar o apreço de Radharani para conseguir o apreço de Krishna. Sem dúvidas nós buscamos o apreço de Radharani simplesmente porque pertencemos a ela, não buscamos tirar nenhum proveito dela, a força feminina espiritual é o nosso objetivo, mais que o próprio Senhor Supremo. Isto é muito confidencial, nós pertencemos à Mãe Suprema, porque ela é a Serva Suprema.
Na Índia, muitas pessoas adoram a Durga Devi como a energia material e a mãe cósmica principalmente para obter facilidades de desfrute material.
É claro que os gaudiya vaishnavas adoram a Sri Radha sem nenhuma intenção de se aproveitar disso, nós adoramos a Radharani porque ela é nossa vida, pertencemos a ela. Os adoradores de Durga Devi são conhecidos na Índia como “shakta” ou seguidores de Shakti Devi. De alguma forma nós também somos “shaktas”, porque adoramos a Energia Feminina Original, mas não somos apenas shaktas senão “suddha shaktas”, que é muito confidencial. Adoramos à Shakti Original, Srimati Radharani, a potência principal da devoção, por isso Srila Sridhar Maharaj disse que somos suddha-shakta, adoradores da devoção pura.
É Sri Radha quem faz tudo para que as almas possam chegar a Krishna. Radharani é quem tem todo este plano divino, é graças a ela que Mahaprabhu veio derramar Sua misericórdia, foi iniciativa dela. Ela sabe que Krishna quer que todo mundo se salve e ela é quem entra em ação para que isso se cumpra, apenas ela tem esta capacidade.
O Movimento da Consciência de Krishna no Ocidente existe por causa de uma grande chantagem. Quando Srila Prabhupada viajou ao Ocidente para cumprir com seu serviço a Srila Bhaktisiddhanta, escreveu uma canção que se chama “Krsna tava punnya habe bhai”, a tradução da canção é assim:
“Meu mestre espiritual, que é um servo íntimo de Srimati Radharani, me mandou aqui. Sem dúvidas que eu não tenho conhecimento, eu não sei nada. Então, como vou estabelecer a Consciência de Krishna neste mundo dominado por tamas e rajas guna? Como posso fazer? Por isso, meu querido Senhor Krishna, dou um aviso: Se o Senhor não me ajudar a fazer desta missão impossível algo possível, vou me queixar diretamente com Radharani e vou dizer que o Senhor me trouxe aqui e não me ajudou...”
Assim como disse Srila Prabupada: “Vou me queixar com Radharni se o Senhor me deixar sozinho neste lugar”, eu penso que Sri Krishna se assustou e então fez algo forte para que as almas muito condicionadas, apegadas às drogas, ao álcool e muitas outras coisas desviadas, pudessem receber Sua misericórdia e cantar o Santo Nome.
Dessa maneira Srila Prabhupada conseguiu que todos nós começássemos a refletir, que sentíssemos algo que não pudéssemos explicar, mas que de repente estava nos acontecendo e sem nos darmos conta começamos a cantar “Hare Krishna...”, mesmo tendo sido ateu antes.
Então, pela graça de Srila Prabhupada e pela intervenção de Srimati Radharani, recebemos a possibilidade de nos tornarmos pessoas responsáveis espiritualmente e recebermos um serviço que pudéssemos cuidar e fazer crescer:
·         Pudemos nos converter em bons sankirtaneiros que levam a mensagem do Bhagavatam a todo lugar;
·         Pudemos ser instrumentos importantes do office bap e manter a pregação pela internet;
·         Pudemos educar aos nossos filhos e gerar uma família consciente de Krishna que vai expandir as glórias de Mahaprabhu ao seu redor;
·         Pudemos ser líderes dos ashrams e ajudar aos devotos no seu caminho até Deus;
·         Pudemos nos converter em professores de Yoga Inbound que chegam ao coração das pessoas e as fazem se apaixonar pela “Mais doce realidade”, ou ser grandes artistas conscientes que contagiam o mundo com beleza transcendental.

Há muitas possibilidades de serviço e o importante é que este serviço que recebeu seja a ferramenta que vai te ajudar a sair deste mundo, por isso tem que cuidar e fazê-lo crescer. Este serviço foi recebido pela misericórdia de Srila Prabhupada que provém da própria Srimati Radharani. Como é possível isto? Apenas por misericórdia.
Misericórdia é o que nos mantém dia após dia. Sigam em frente apreciando esta maravilhosa misericórdia que graças a Srila Prabhupada está nos ajudando a sair deste mundo. Esta é a minha mensagem de hoje.
Jay Srila Prabhupada!

Seu sempre bem-querente,
Swami B. A. Paramadvaiti.