Eu oro a
Krishna para que você recupere este apreço
“Pois lembre que Krishna só quer seu coração, Ele não quer nada material de
nós. Sem dúvida Ele nos permite participar de suas mil maravilhas que Ele mesmo
está organizando neste planeta Terra, coisas maravilhosas e variadas.”
Meus
queridos devotos, saudações de Miami Mandir. Feliz em me reencontrar com os
devotos de Miami depois de quase dois meses de muitas atividades na Índia.
Para
manter uma família unida no vaishnavismo é muito importante que as pessoas que
fazem serviço com você sejam quem você admire o que elas fazem, e mais
importante ainda é que elas continuem admirando o que o mestre espiritual
esteja fazendo, e isso depende muito do teu bom exemplo. Quando talvez por anos
ou outras razões um devoto perde o interesse pelo o que faz o mestre espiritual
e deixa de escutar suas aulas e ler suas mensagens semanais, significa de
alguma forma que algo dentro dele precisa de atenção, pois o que acha se a
mulher da tua vida te mandar uma carta e você não ler?! Nas relações de coração a coração, devemos ao outro cada
instante. “Quero estar com você”, “sou feliz que exista”, “agradeço por me
procurar”, “sinto que você é para mim o sopro que me faz levantar de manhã e me
anima a fazer as outras coisas toda vez.”
Assim
como o mestre espiritual é quando recebe ao discípulo com um abraço, com um
rosto sorridente e umas palavras de ânimo, ele quer saber como está indo, o que
precisa para ser feliz. O fato do mestre espiritual ter esta preocupação com
cada devoto faz com que lembremos da presença direta de Krishna em nós. Não
podemos esquecer que junto do mestre espiritual vem toda a família espiritual:
os irmãos espirituais, os tios espirituais, o avô espiritual, o bisavô
espiritual, as escrituras sagradas, o santo nome, as canções devocionais, o
gayatri mantra... Uma cultura linda e única em seu gênero.
Se
eu perco o apreço por tudo isso ou me sinto chateado (o mais provável pela má
associação), algo começa a morrer dentro de mim e começo a entrar em uma área
de muito perigo, então tenho que me perguntar como vou me recuperar e sentir a
beleza que sentia antes, quando dançava nos kirtans com meus irmãos ou quando
ia a sankirtan nas horas extras para conectar as pessoas na consciência de
Krishna, quando não me importava com o mal estar do resfriado e levantava de
qualquer jeito ao mangal artik porque não queria passar nenhum dia sem receber
o darshan da deidade pela manhã. Esses momentos tão bonitos quando não tinha a
mente invadida por pensamentos negativos e justificativas, maus momentos
produzidos geralmente por circunstâncias ou má convivência com outros devotos.
Você
sabe, até os irmãos brigam sem razão quando são crianças, assim, a convivência
sempre tem momentos difíceis, provas e dificuldades, mas esses detalhes não têm
nenhuma importância ante a Suprema graça que é a consciência de Krishna. Por isso
o contato é tão importante, não só com o mestre espiritual senão que também com
outros devotos que o querem e o apreciam em seu trabalho, aqueles que te animam
para fazer o mesmo. Não se esqueça que o mestre espiritual tem a tarefa de
transformar você em um mestre espiritual também.
Semelhante tarefa
quando observamos nossa própria consciência, pois como vai se transformar em um
mestre espiritual se nem sequer aprecia o próprio mestre que está se esforçando
desta forma? Qual razão poderíamos ter para nos afastarmos do nosso mestre
espiritual? Será que houve algum mal entendido? Será que realmente falou com
ele para ter uma explicação daquilo que não entendeu? Você deu a chance ao seu
mestre espiritual para que te mostrasse o afeto que precisa? Ou foram seus
desejos materiais que floresceram e fizeram que decidisse não ir até seu mestre
espiritual ou aos devotos porque eles esperavam alguma iniciativa sua com os planos
da consciência de Krishna enquanto você não tinha nenhum desejo de explicar
nada? Qual foi a armadilha em que Maya te meteu?
Pois lembre
que Krishna só quer seu coração, Ele não quer nada material de nós. Sem dúvida
Ele nos permite participar de suas mil maravilhas que Ele mesmo está
organizando neste planeta Terra, coisas maravilhosas e variadas, assim como o
que temos visto na família Vrinda e em outras missões para a expansão da consciência
de Krishna, é muito maravilhoso. Claro, sempre haverá imperfeições, mas os
problemas existem para que nós solucionemos, por isso até os problemas são,
afinal, bênçãos. Mas vamos seguir em frente como for, pois como dizem na
América do Sul: “Para trás, nem para tomar impulso.”
Sempre vamos
lutar para fazer algo bonito, pois se não houver algo bonito, só faço algo feio
e isso não é bom. E principalmente se não estiver pregando, não está dando a chance
para outras pessoas sentirem amor por Sri Guru e vaishnavas, pois não está
comunicando a mensagem nem está permitindo que outras pessoas se conectem, então,
sua vida não tem muito significado nem produz alegria aos demais, sua vida não
é um diamante precioso que pode dar brilho aos lugares mais obscuros e assim
dar vida aos corações. O mais provável é que esteja sofrendo de solidão, pois
quem não dá algo muito profundo e importante aos demais, não terá nenhum tipo
de companhia comprometida consigo, pois até os familiares se chateiam e afastam
de nós quando não há preocupação na relação, assim, a solidão, especialmente na
velhice, se torna algo terrível. Qual é a solução disto? É sempre falar de
Krishna e se rodear de pessoas de qualquer idade que queiram compartilhar um
artik, prasada, as últimas notícias da missão do guru e as últimas instruções
dele.
As pessoas
veem notícias e leem o jornal todos os dias, com notícias sem sentido como
alguém que fez um gol em algum lugar do mundo cujo nome nem conhece. Ainda assim,
as pessoas veem estas notícias sem sentido, todas essas coisas que consomem,
pois é natural precisarmos escutar as novidades, mas a alma precisa de
novidades espirituais, como os devotos Yuga Dharma e Thakur que distribuiram
600 Srimad Bhagavatam em um só dia na Venezuela, isso deveria ser a razão de
pular de alegria e assim felicitar a estes devotos que estão nas ruas da
Venezuela pregando intensamente. Mas, se você nem se interage sobre o que fazem
os irmãos da sua família espiritual, se não está em contato com eles, então a
solidão e o aborrecimento vão te invadir e só as notícias karmaticas vão te gerar
algum tipo de satisfação. Claro, as notícias do mundo só anunciam coisas muito
feias que quando lemos, pensamos: “nossa, menos mau que a mim a vida não está
indo tão ruim”, mas isso é outra coisas sem sentido.
Em outra
palavras, o néctar dos devotos, o néctar das últimas publicações do SEVA, o
néctar da pregação, o néctar da adoração da deidade (assim como Vishvanath e
Syama Mohini em Merced, no México, fizeram um altar lindíssimo em ônix), esse
tipo de notícia sim são dignas de pular e dançar.
Eu oro a
Krishna para que você recupere este apreço e que se dedique o tempo para saber
o que acontece em sua família. Nossa família espiritual cresceu muito e eu cada
vez menos posso visitar todos os templos (mesmo querendo), nem sequer todos os
países onde temos templo, tampouco posso escrever cartas muito grandes aos
devotos. Lembro de Srila Prabhupada que no final de sua vida iniciou devotos
até por gravação, porque não podia ir aos seus países.
Mais serviço
e mais expansão da Missão requer que os devotos avançados ponham mais energia
onde se precisa de um siksa guru (guia espiritual), porque o diksa guru (mestre
espiritual iniciador) já não dá conta, e como o diksa guru e o siksa guru vão
para a mesma direção, então os devotos sentem naturalmente o agradecimento em
perceber que há pessoas que sim estão se sacrificando por esta linda causa do
bhakti.
Com estas
palavras me despeço de vocês hoje, esperando que não pareça banal ao dizer coisas
que escutaram tantas vezes. Quando eu repito é apenas porque é a inspiração que
me chega neste momento. Obrigado por ler estas linhas.
Se quiserem
me fazer um favor especial, peço que distribuam esta carta que vem do meu
coração a todos aqueles devotos que neste momento não estão muito conectados.
Obrigado a
vocês que me acompanham neste caminho de serviço ao meu Gurudeva.
Com todo
meu afeto.
Jay Srila
Prabhupada!
Seu sempre
bem-querente,
Swami B. A. Paramadvaiti.
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